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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 16 (AE) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai destinar pelo menos R$ 1 bilhão, com condições especiais de financiamento, para o desenvolvimento da região Centro-Oeste. A exemplo do que já foi feito no Nordeste, Amazônia e sul do Rio Grande do Sul, o banco facilitará o acesso de empresas que investirem no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul a empréstimos, no intuito de estimular a geração de empregos.
Nos programas BNDES Automático, Financiamento a Empreendimentos (Finem) e nas verbas da Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame), o nível de participação do banco nos projetos dessas empresas passará de 60% para 80%. O custo financeiro é a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e o spread (taxa de risco) será reduzido dos tradicionais 2,5% ao ano para 1%. O spread do agente financeiro, se houve intermediação do financiamento, será negociado caso a caso.
No Nordeste, a dotação inicial também foi de R$ 1 bilhão
mas o banco já liberou para a região, desde 1995, cerca de R$ 1 5 bilhão, afirmou o responsável pela Finame e pela Secretaria de Desenvolvimento Regional do BNDES, Darlan Dórea Santos, que se encontra hoje com o governador de Mato Grosso, Dante de Oliveira
para discutir o programa.
"Na Amazônia, onde a verba inicial era a mesma, havia poucos agentes financeiros interessados no repasse, mas já estamos trabalhando para sanar os problemas", disse. No Rio Grande do Sul, o BNDES também não atingiu o mínimo de R$ 1 bilhão.
As empresas poderão receber empréstimos para financiar seu capital de giro desde que ele esteja associado aos outros investimentos financiáveis pelo banco. A parcela do capital de giro pode ser equivalente a todo o investimento fixo financiável para as microempresas, 50% para as pequenas empresas e 30% para as médias e grandes corporações. O BNDES negociará diretamente os pedidos a partir de R$ 1 milhão.
Antes, as empresas que quisessem tomar até R$ 7 milhões tinham de solicitar empréstimos aos agentes financeiros que repassam os recursos do BNDES. "Nem sempre existem agentes financeiros interessados nesses projetos, por isso abrimos a negociação direta", explicou Santos.
Segundo um estudo recente do BNDES, coordenado pelos economistas Sheila Najberg e Paulo André de Oliveira a partir de dados do Ministério do Trabalho e do Emprego, o Centro-Oeste foi a única região que registrou geração líquida de empregos (admissões menos demissões), entre 1995 e maio deste ano. Foram 91.000 postos em serviços, 43.000 na indústria, 59.000 no comércio e 16.000 na agropecuária.
O estudo apontou ainda que a região, embora pouco representativa na força de trabalho nacional, destaca-se pelo incremento do agronegócio e da indústria de transformação.


