São Paulo, 16 (AE) - O presidente do Conselho de Administração da Sadia, Luiz Fernando Furlan, rebateu hoje as críticas do presidente Fernando Henrique Cardoso aos empresários que, segundo o presidente, estão aumentando os preços. "Quem está provocando inflação é o governo, ao aumentar os preços públicos", diz Furlan. Ele também reagiu à afirmação do presidente sobre aumento abusivo de preços. "O governo poderia nos ensinar como nos defender dos preços abusivos praticados pelo governo", disse Furlan, referindo-se a itens como energia, telecomunicações e combustíveis, definidos ou controlados pelo governo, que subiram muito acima dos preços no varejo este ano.
O Índice do Custo de Vida (ICV), calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), mostra que a inflação deste ano foi puxada pelos preços públicos. Do índice médio de 7,27% de janeiro a outubro, os preços públicos ou controlados pelo governo respondem por 17,21%, os preços oligopolizados (produtos fabricados por poucas empresas) subiram 15,98% e os concorrenciais (entre eles os alimentos) aumentaram 3,98%.
Furlan acredita que os preços estão subindo por causa da sazonalidade e das condições climáticas, que atrasaram em um mês a safra brasileira de grãos e provocaram aumento de até 40% no preço do milho. Estes aumentos, na sua opinião, não se mantém no próximo ano. "A partir de fevereiro ou março os preços devem refluir", afirmou.
O que o governo não pode, disse o presidente da Sadia, é cobrar dos empresários a parte que ele próprio não fez. "As empresas se reestruturaram e repassaram ao consumidor os ganhos de produtividade, mas o governo só repassou aumento de preços", afirmou. "O governo precisa administrar melhor seu orçamento e não transferir para os empresários o preço da sua incompetência", diz.
Furlan acredita que a inflação ficará "em um dígito" no ano que vem, mas não quis afirmar que acredita que o índice ficará dentro da meta acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A Sadia vai aumentar seus preços em cerca de 10% até o fim do ano, como consequência do aumento dos custos de produção, especialmente do milho e soja. Até agora, ele diz que os preços até diminuíram, já que a empresa teve um aumento de 12,6% na produção física e de 3,5% no faturamento, o que indica redução do preço médio.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, concorda com as críticas de Furlan. "A inflação é puxada pelos preços públicos", disse Piva. Ele também reagiu à ameaça do governo, de que vai aumentar os juros se a inflação subir. "Os juros já estão altos, não tem porque o governo ameaçar subir mais se a inflação é causada por ele", disse Piva.
O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, disse que não vê espaço para mais aumento de preço nos próximos meses. "A demanda está fraca e não tem espaço para repasse", disse.

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