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terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Mariana Martinez 
São Paulo, 16 (AE) - A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e a Federação das Associações Comerciais do Estado (Facesp) apresentaram hoje um programa que deve destinar US$ 2,5 milhões anuais, nos próximos três anos, ao financiamento das exportações de pequenas e médias empresas paulistas. O objetivo é somar esforços ao governo na tentativa de dobrar as vendas externas brasileiras, chegando a US$ 100 bilhões em 2002, meta estabelecida pelo Programa Especial de Exportações (PEE). "Queremos preencher as lacunas do PEE", disse o diretor do projeto, José Cândido Senna.
Os recursos serão conseguidos junto à iniciativa privada. Segundo Senna, a expectativa inicial era de que a Agência de Promoção de Exportações (Apex), órgão governamental, financiasse 31% do programa no primeiro ano, mas a resposta foi negativa. A gerente geral da Apex, a ex-ministra Dorothéa Werneck, que esteve no evento para explicar a atuação da Agência no País, não confirmou o apoio. "Não é nossa prioridade", disse a ex-ministra. Para o coordenador de Comércio Exterior da Facesp, Robert Schoueri, o auxílio do governo é necessário, mas não fundamental. "O projeto independe da atuação do Itamaraty e do Banco do Brasil. Mas se houver apoio, só somará ao programa"
afirmou.
Pesquisa do Sebrae sobre a evolução do comércio exterior nos anos 90 mostra uma grande assimetria entre o crescimento das importações e das exportações brasileiras. Enquanto as importações triplicaram, de 1990 a 1998, passando de US$ 20,5 bilhões para US$ 57,5 bilhões, as exportações aumentaram apenas 62%, de US$ 31,5 bilhões para US$ 53 bilhões. Segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), 83% das empresas brasileiras que não praticam vendas externas têm interesse em exportar. Destas, 63% afirmam não ter conhecimento suficiente do mercado externo, 62% encontram dificuldades para divulgar seus produtos e 49% não sabem como proceder. "A expansão das exportações brasileiras deve acontecer em caráter de urgência", afirmou José Cândido Senna.
O projeto da ACSP, denominado "Dobrando as vendas externas com as comerciais exportadoras", contemplará 206 produtos nacionais, a partir de uma pesquisa do potencial de venda de cada um deles no exterior, com ênfase nos mercados da Aladi, Mercosul, Estados Unidos e União Européia. De acordo com Senna, dados da Fiesp mostram que esses mercados respondem pelo ingresso das empresas brasileiras no comércio exterior. Senna afirmou que somente nos países da Aladi existe um potencial de crescimento de US$ 4 bilhões das vendas de produtos do Brasil.


