São Paulo, 16 (AE) - A "condenação", pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, à prática de reajustes salariais generalizados neste segundo semestre provocou indignação nos dois principais líderes da Central Única dos Trabalhadores (CUT): os presidentes do Sindicato dos Bancários de São Paulo, João Vaccari Neto, e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho. Os sindicalistas representam categorias com grande poder de organização e conseguiram repor a inflação nos salários de boa parte dos trabalhadores que representam. Mas ressaltam que foram atrás da inflação passada, provocada por descontrole no câmbio, juros elevados, pela prática de "tarifaços" das companhias privatizadas e outros ingredientes da própria política econômica.
Vaccari e Marinho lembram também que nem bem conseguiram recuperar salários e já estão no prejuízo. Isso porque a inflação do último trimestre do ano está estimada em 3%. A do ano que vem, se tudo der muito certo, em pelo menos mais 8%, segundo meta do governo. Ou seja, mês a mês os assalariados vão perder seu poder de compra, duramente recuperado nos últimos meses.
Ambos não definiram estratégia para os próximos meses, mas mesmo Marinho, que há alguns meses sugeria que, em vez de se preocupar prematuramente com indexação de salários, o movimento sindical deveria refletir sobre como evitar a inflação, já não vê espaço para isso hoje. "O governo poderia ter evitado reajustes de preços se tivesse negociado políticas de produção e de desenvolvimento com diversas cadeias produtivas", afirmou o líder metalúrgico. "Agora a inflação está aí e cabe ao movimento sindical recompor salários."
Vaccari lembrou que antes de acusar salários de provocar inflação, o governo deveria encarar a realidade. "Temos, de novo, os cartéis definindo reajustes abusivos de preços, como no caso das montadoras de veículos", lembrou o Vaccari, que também é vice-presidente da CUT. Na área bancária, ele cita a falência do discurso de que a chegada de bancos estrangeiros provocaria redução de tarifas. "Os bancos estão ganhando com cobrança de tarifas e de juros mais do que lucravam no tempo da inflação."

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