PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de novembro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 16 (AE) - Gastos rotineiros com motel, preservativos, seringas descartáveis, remédios homeopáticos, manutenção de jazigos e cerimônias religiosas são indicaticos de novos hábitos dos moradores do município de São Paulo que foram apurados pela 6ª Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), divulgada hoje pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da USP.
Até agora, ao calcular o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a Fipe ignorava esses gastos que não eram acompanhados em suas pesquisas. Embora tenham peso pequeno no cálculo da inflação, em comparação com outros novos itens, como os serviços de telecomunicação, esses gastos refletem mudanças desse final de milênio.
Motel, preservativos e seringas descartáveis têm o mesmo peso: 0,02%, cada um. Já os remédios homeopáticos valem o triplo
com 0,06%. A influência das igrejas evangélicas fez com que a Fipe voltasse a incluir despesas com cerimônias religiosas no cálculo do IPC, com peso de 0,035%. É quase o mesmo das despesas com manutenção de jazigos, que recebem 0,03%. Até a década de 70
a Fipe pesquisava os gastos com cerimônias religiosas, mas as duas últimas pesquisas (80-81 e 90-91) ignoravam o item.
Se novos bens e serviços ganham importância, outros perdem. Nenhum dos atuais 340 itens foi excluído da pesquisa, mas cerca de 160 novos foram acrescidos. Os serviços de sapateiro e alfaiate, por exemplo, estão minguando participação no cálculo do IPC. Caíram, respectivamente, de 0,06% para 0,02% e de 0,11% para 0,06%. O tintureiro também perdeu força, com só 0,03%.
O peso dos gastos com bebidas álcoolicas ficou inalterado, com 0,97%, de acordo com a nova POF, já que o chope foi acrescido às despesas com cerveja. Em compensação, caiu o peso dos gastos com fumo: de 2,3% para 1,4%.


