diz Fipe Por Rita Tavares
São Paulo, 16 (AE) - O maior gasto mensal das famílias com renda de até 20 salários mínimos do município de São Paulo é com os itens relacionados à habitação. Até recentemente, as despesas com alimentação eram as campeãs de gastos. A alteração foi detectada na 6ª Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e vai alterar o cálculo do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) a partir de janeiro de 2000.
A pesquisa, divulgada hoje, foi feita entre maio de 1998 e junho deste ano, investigando os gastos de 2.350 famílias do município de São Paulo, mas apenas 2.200 foram computados. A Fipe e a Secretaria de Finanças de São Paulo custearam as despesas desta sexta POF, considerada "a mais precisa" por ter sido feita numa conjuntura econômica estável. A última POF, de 1990-91, pesquisou 1.200 domicílios.
Até agora, as despesas com alimentação tem peso de 30,8% na composição do IPC. Cairão para 22,7%. Na década de 50, o peso dos alimentos no orçamento chegou a 50%. Em compensação, os gastos com habitação pularão dos atuais 26,5% para 32,7%. No item habitação, não entram gastos com a compra de imóvel, já que não é um item de consumo e sim, de poupança. Incluem tarifas públicas, aluguel, condomínio, equipamentos eletroeletrônicos e utilidades domésticas.
O terceiro grupo de despesas continua inalterado, com o item transportes. Mas o peso no cálculo do IPC cresceu, passando de 12,9% para 16,1%. As despesas pessoais continuam ocupando o quarto lugar nas despesas das famílias, com peso praticamente inalterado no cálculo da inflação, com 12,5% no momento e 12,3% em janeiro.
Até o momento, as despesas com vestuário eram maiores do que saúde, mas com o crescimento dos gastos com os planos de saúde, houve uma inversão. O peso dos gastos com saúde irá de 4 6% para 7%. Em compensação, os com vestuário, que foram reduzidos com a queda dos preços, cairão de 8,6% para 5,3%. Por fim, os gastos familiares com educação estão inalterados, caindo dos atuais 3,9% para 3,8%, na nova metodologia de cálculo do IPC.
Telecomunicação - Os novos hábitos dos consumidores fizeram com que as despesas relacionadas com habitação pulassem para o primeiro lugar nos gastos dos habitantes de São Paulo. Apenas os gastos com os serviços de comunicação, que incluem as contas dos telefones fixo e celular, a TV a cabo, o pager, o provedor da Internet, o correio eletrônico e o cartão telefônico
terão peso de 3,7% no IPC. A importância é praticamente a mesma dos gastos com educação (3,8%).
Além dos gastos com comunicação, o item habitação engloba outros oito sub-itens, como aluguel, condomínio, serviços públicos e artigos de limpeza. "Boa parte desses itens subiu bastante do Plano Real para cá", disse o coordenador do IPC, Heron do Carmo. De julho de 1994 a junho deste ano, o aluguel subiu 555,05% contra um IPC acumlado de 69,21%.
Outra explicação para o crescimento de importância do item comunicação é a expansão de usuários que os serviços de tiveram. A partir da privatização das telecomunicações, mais famílias têm acesso à telefonia fixa, em comparação ao início da década, quando foi feita a última POF em São Paulo.
Alimentos industrializados - Até hoje, os alimentos semi-elaborados (arroz, feijão, carne e leite, por exemplo) eram os que tinham maior peso nos gastos com alimentação em São Paulo. Esse lugar será, agora, dos alimentos industrializados, de acordo com o resultado da 6ª Pesquisa de Orçamentos Familiares.
Além de ser um indicador de novos hábitos, o resultado veio em consequência da queda do preço dos produtos industrializados que caíram substancialmente do início do Plano Real para cá. A queda desses preços veio pelo aumento da produtividade das indústrias, pela competição com os estrangeiros e também pelo aumento do número de consumidores, beneficiados pela estabilidade da economia, segundo o coordenador do IPC-Fipe, Heron do Carmo.
Os alimentos semi-elaborados tinham peso 11,8% na apuração do IPC, mas irão para 6,9%. Para o primeiro lugar entre os alimentos, irão os produtos industrializados, com 9,1% contra 10,7% anteriores. A redução vem em consequência da queda dos preços. Um exemplo dessa mudança é o predomínio do consumo do leite longa vida contra o leite C, embalado em saco plástico. Os produtos in natura tinham peso de 4,6% e passarão agora para 4%.
A Fipe introduziu novos produtos alimentícios na sua pesquisa: os chamados Diet e os Light, os congelados e os embalados. As marcas importadas serão pesquisadas em igualdade de condições das nacionais, segundo Heron. Os gastos com alimentação fora de casa tiveram o peso reduzido de 3,6% para 2 7%, de acordo com a Fipe, porque, embora esses gastos tenham crescido em importância, a queda de preços explica a redução do peso.





