Buenos Aires, 12 (AE) - O presidente eleito da Argentina, Fernando de la Rúa, foi internado por causa de um pneumotórax direito espontâneo, mas não corre risco de vida.
A versão oficial fornecida por seus porta-vozes é que durante a manhã desta sexta-feira, durante um check-up corriqueiro, os médicos perceberam a existência desta anomalia, e decidiram drená-la. Os médicos aplicaram uma anestesia local no presidente eleito, que ficará dois ou três dias em repouso no Hospital "Instituto de Diagnósticos".
No entanto, seu ex-secretário de Finanças Adalberto Rodríguez Giavarini afirmou que estava indo com o presidente eleito a uma reunião com o subsecretário de Estado de Comércio Exterior dos EUA e no meio do caminho De la Rúa teria se sentido mal, e desviou-se em direção ao Hospital para ser atendido.
Segundo um dos principais comentaristas de saúde do país, o doutor Cláudio Zin, o pneumotórax ocorre quando o pulmão entra em colapso porque não recebe ar suficiente, ou por causa de uma má formação congênita. Em um momento determinado, por causa de um esforço físico, a bolha de ar se rompe, causando dores no peito.
"A bolha deve ter se rompido, aí o pulmão entra em colapso, e é preciso ser extraído o ar", explicou Zin. Segundo os médicos, isso não implica em complicações futuras para o presidente eleito, que terá que ficar pelo menos 48 horas em repouso para recuperação.
Segundo os médicos do Hospital, "é frequente que o pneumotórax seja descoberto em um exame de rotina".
O secretário de Saúde de Buenos Aires, Héctor Lombardo, que foi ao hospital imediatamente após a internação, disse o pneumotórax pode ter sido causado pelo estresse, e pela intensa agenda do presidente eleito, que esteve nos últimos dias reunido com o presidente Fernando Henrique Cardoso em Brasília, e que dias depois voltou a viajar para participar da cúpula da Internacional Socialista em Paris.
Lombardo descartou que o problema se deva ao costume furtivo do presidente eleito de fumar charutos: "Isso não influi, mas seria bom que ele deixasse de fumar...", comentou.
De la Rúa, de 62 anos, recebeu a visita de sua esposa, filhos e colaboradores mais próximos.
O analista político Rosendo Fraga disse à AGÊNCIA ESTADO que no hipotético caso de falecimento do presidente eleito, mesmo antes da posse (que será dia 10 de dezembro) assumiria o vice-presidente eleito, Carlos "Chacho" álvarez. A Constituição argentina estabelece que com o cargo de vice-presidente vago, este passaria a ser ocupado pelo presidente do Senado.
Na história argentina não há casos de presidentes falecidos antes da posse. Somente dois faleceram no exercício de seus cargos: Manuel Quintana e Roque Saenz Peña, no início deste século.
"Chacho" álvarez, o vice eleito, declarou que não há motivos para preocupação e que De la Rúa comunicou-se com ele desde o hospital por telefone, dando-lhe a diretriz de coordenar em seu lugar as equipes de transição.

mockup