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sexta-feira, 12 de novembro de 1999
Por Claudia Dianni 
Brasília, 12 (AE) - O secretário de Desfesa dos Estados Unidos, William Cohen, e o ministro da Defesa, Élcio Alváres, assinaram hoje um acordo bilateral de cooperação militar para defesa e segurança do continente. O protocolo cria o Grupo de Trabalho Bilateral de Defesa Brasil-Estados Unidos (GTBD), por meio do qual os dois países discutirão as divergências e as possibilidades de cooperação nessa área.
O secretário disse ter oferecido ao ministro e ao presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem se reuniu, a experiência norte-americana na fase de transição do sistema de Defesa anterior, controlado pelo militares, para o sistema atual
concentrado em um ministério comandado por um civil. "Temos experiência nas áreas de programas, orçamentos, mas a agenda de cooperação está aberta."
Os Estados Unidos já têm um acordo semelhante com a Côlombia e com o México. Hoje, o secretário norte-americano assina o mesmo protocolo com a Argentina e com o Chile. Ficou acertado que os ministros de Defesa dos dois países vão se reunir anualmente, alternando o local do encontro. A primeira reunião será no ano que vem, nos Estados Unidos.
Ficou acertado também que, em outubro de 2000, o Brasil sediará o 4º. Encontro de Ministros da Defesa das Américas. "Isso demonstra um claro sinal da intenção do Brasil de participar dos assuntos da região."
O Brasil foi a última democracia do continente a criar o Ministério da Defesa e a nomear um civil para o cargo. Depois de muita resistência dos militares, o Ministério da Defesa foi criado no início do ano e ratificado pelo Congresso em junho. "Nós consideramos essa estrutura de controle civil dos militares um elemento fundamental para a nossa democracia", disse Cohen.
O discurso do secretário americano com relação ao papel das Forças Armadas no combate ao narcotráfico foi semelhante à posição da diplomacia brasileira, segundo a qual as Forças Armadas são mais úteis atuando com informação e serviços de inteligência do que no combate direto. Ele admitiu ter discutido com álvares e com o presidente a situação da Colômbia, mas afirmou que não foi estabelecido nenhum plano de ação conjunta. "Esse problema tem de ser resolvido pela própria Colômbia", afirmou. "Será necessária muita diplomacia e isso não será resolvido por meio de força externa."
Cohen não quis comentar como as Forças Armadas brasileiras devem colaborar para conter a expansão do narcotráfico ou nos conflitos causados pelas guerrilhas na Colômbia. "Não seria apropriado dizer que o Brasil deveria adotar uma solução ou outra com relação à Colômbia", disse. "A questão do fluxo de drogas preocupa todos os países da região, mas cada país terá de resolver dentro de seu contexto."
Segundo ele, nos Estados Unidos a Constituição determina os limites de atuação das Forças Armadas e, de acordo com as regras americanas, os Estados Unidos podem prestar assistência à Colômbia em termos equipamentos e treinamento, mas não é possível as Forças Armadas atuarem em território colombiano.
Para Cohen, há várias questões sobre as quais as Forças Armadas dos países do continente devem colaborar umas com as outras para manter a segurança e a soberania das democracias. Ele citou como exemplo, além do narcotráfico, as ameaças aos computadores, e guerras químicas e biológicas.


