Islamabad, 12 (AE-AP) - Em um ataque aparentemente coordenado, seis foguetes explodiram hoje (12), em um lapso de dois minutos, perto da Embaixada dos Estados Unidos e da missão das Nações Unidas, de um centro cultural americano e de vários prédios governamentais na área central da capital paquistanesa.
Segundo as autoridades, as explosões, em locais de pouco movimento, deixaram pelo menos seis feridos, nenhum deles americano.
Os projéteis foram disparados por lança foguetes "de automóveis ocupados por pessoas não identificadas, que conseguiram escapar", disse o subcomissário municipal Mohamed Ali Khan.
Ninguém se responsabilizou pelos ataques, mas fontes do Ministério do Interior disseram suspeitar que estiveram envolvidos comandos do terrorista Osama Bin Laden.
As explosões ocorreram dois dias antes da entrada em vigor de sanções impostas pelas Nações Unidas contra a milícia islâmica Taleban, que governa o Afeganistão e abriga Bin Laden, acusado dos atentados contra embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia no ano passado, que deixaram 224 mortos. As fontes lembraram que o Taleban já havia advertido o Paquistão e os EUA de que não tomassem nenhuma medida para forçar a entrega de Bin Laden.
O porta-voz do Conselho de Segurança da Casa Branca, Mike Hammer, disse que os EUA condenavam os ataques e estavam tentando encontrar mais fatos que levassem aos responsáveis. Um oficial do serviço secreto americano, contudo, disse acreditar que os ataques estão relacionados com as sanções da ONU. "Podem ter sido lançados pelo Taleban, por Bin Laden ou por algum fundamentalista atendendo a exortações da milícia islâmica."
Contudo, o líder supremo do Taleban, o mulá Mohammad Omar, condenou os ataques. Em fax enviado à agências de notícias da cidade paquistanesa de Peshawar, Omar disse: "O Emirado Islâmico do Afeganistão sempre condenou o terrorismo e continuará a condená-lo." Omar disse estar convencido de que o ataque foi uma tentativa de prejudicar as relações entre o Taleban e o Paquistão e ainda piorar seu relacionamento com os EUA e a ONU. O Paquistão é um dos três países que reconhecem o governo Taleban.
Na segunda-feira Omar havia advertido que o povo americano enfrentaria "terremotos e tempestades" a menos que pressionassem seu governo a parar com as "hostilidades" contra o Taleban.
O líder militar do Paquistão, o general Pervez Musharraf, disse hoje à Associated Press que os ataques foram "algo muito sério" e estão sendo investigados. Os atentados também ocorreram exatamente um mês após o golpe militar contra o governo do primeiro-ministro Nawaz Sharif. Mas não parecem ter ligação com o golpe liderado por Musharraf, que obteve amplo apoio dos paquistaneses.
Musharraf manifestou-se disposto a dialogoar com o Taleban para resolver o caso de Bin Laden. "Se ele está envolvido em atos terroristas, gostaria de negociar com o governo afegão uma solução para o caso."
Pelo menos três pessoas ficaram feridas hoje em Cabul, capital afegã, em um atentado contra o automóvel de Amir Khan Muttaqi, um dos líderes talebans. O carro estava parado diante de uma mesquita quando ocorreu a explosão. Muttaqi, que estava no templo, saiu ileso, mas seu motorista e dois transeuntes ficaram feridos. O Taleban, controla 90% do Afeganistão e luta contra a oposição, no norte do país, pelos 10% restantes.

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