Paris, 12 (AE) - As famílias reais européias são muito ativas: dominar a crônica social é para elas um ponto de honra e fazem questão de não ficar atrás dos políticos. É verdade que elas estão erradas neste último ponto, porque, na França, como na Itália, a atividade principal dos deputados e dos ministros consiste em comparecer diante dos tribunais para explicar que não são tão corruptos como se poderia acreditar, ou então em renunciar a seus cargos garantindo que irão voltar.
De modo geral, para lembrar que estão vivos e que são necessários, os monarcas agem de maneira diferente: é raro que um monarca seja "investigado" judicialmente por corrupção. Em contrapartida, no tocante às histórias sentimentais ou sexuais, como às disputas em família, os príncipes, as princesas e os reis são insuperáveis.
Há muito tempo, a coroa britânica (talvez em razão de seu brilho) manteve-se em destaque nas crônicas sociais e nas histórias de escândalos. Foi seguida de perto pela família Grimaldi, de Mônaco, cujas duas filhas encantadoras, Caroline e Stephanie, não conseguiam saber com certeza qual o jovem que fazia saltar de alegria seu coração, como num conto de fadas....
Mais tarde, um homem que não era rei, mas que acreditava sê-lo, François Mitterrand, inaugurou uma nova prática: pouco antes de sua morte, anunciou a seu "povo" estupefato que tinha uma filha ilegítima, já adulta, pois era professora assistente de filosofia, uma jovem muito bela chamada Mazarine. (Mazarine publicou depois um primeiro romance, gentil e inútil).
Menos romântica, menos sedutora, foi a contribuição da família da França, pois a morte do pretendente ao trono francês, o conde de Paris, foi a ocasião para um abominável "desabafo" em família: seus herdeiros disputam entre si seus despojos. Despojos aliás muito magros.
Para melhorar a posição da "casa real" da França nessa crônica, soubemos então que a governanta que cuidou do pretendente ao trono durante seus últimos anos era uma pessoa muito amorosa.
Hoje, uma nova "casa real" tenta figurar nesta crônica: a família Saxe-Coburg, que reina em Bruxelas na pessoa de Albert, cuja esposa é a bela rainha Paola.
Em duas ocasiões, estes soberanos belgas iluminaram sua obscuridade: primeiramente, soubemos, há uns 15 dias, que o rei Albert II imitou François Mitterrand, pois também teve uma filha adulterina, uma jovem artista, chamada Delphine, que vive em Londres.
E hoje, a segunda revelação: o filho mais jovem de Albert II, Laurent, publicou num jornal uma queixa, reclamando porque sua dotação foi inesperadamente reduzida, no mesmo momento em que sua irmã Astrid - segunda na ordem de sucessão ao trono, que não recebia um vintém até agora -- foi contemplada com uma dotação de 11 milhões de francos belgas (2 milhões de francos franceses).
Esse "passo cruzado" entre o irmão e a irmã recebeu uma explicação em Bruxelas: a princesa Astrid tem três filhos, enquanto o príncipe Laurent é solteiro. "Exato" - respondem os amigos de Laurent, mas, afinal, esses três filhos de Astrid não nasceram agora, de repente.
Existem há tempo e até agora Astrid não tinha nenhuma dotação pecuniária. Porque então recebe ela agora, de repente, este "maná do céu", enquanto Laurent fica com sua dotação reduzida?
Uma questão filosoficamente muito árdua. Mas alguns propõem outras explicações. O príncipe Laurent não seria um exemplar real da melhor espécie. Dirige uma Ferrari e nessa Ferrari frequentemente está acompanhado de uma mulher, nem sempre a mesma. Além disso, segundo os amigos do príncipe, ele teria o "descaro" de consagrar grande parte de sua energia à defesa dos animais e suas convicções católicas seriam muito frouxas .... Talvez seja até um descrente!
Enfim, alguns jornais belgas, não muito amistosos à família real, sugerem que Laurent não seria filho de Albert II. Seria então o cúmulo: um filho, legítimo, seria filho de um desconhecido, enquanto uma jovem, até agora desconhecida, seria filha ilegítima deste mesmo rei! Meu Deus!......

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