Moscou, 12 (AE-AP) - Após intensos bombardeios iniciados na madrugada, as forças russas tomaram hoje (12) o controle de Gudermes, a segunda maior cidade da república separatista da Chechênia e a mais importante área ocupada pela Rússia desde que enviou tropas para o território checheno, no início de outubro.
A conquista de Gudermes era considerada vital para o avanço sobre a capital chechena, Grozny, sob cerco federal há várias semanas. "A bandeira russa foi hasteada em Gudermes", declarou o primeiro- ministro Vladimir Putin.
A televisão russa NTV mostrava soldados deslocando-se pela cidade, observados por poucos moradores. Segundo a agência de notícias russa Interfax, as tropas dirigem-se agora à localidade de Argun, situada a apenas 15 quilômetros de Grozny e também considerada uma porta de entrada para a capital chechena. Exultante, o primeiro-ministro declarou que aumentará os recursos para as Forças Armadas.
Membros do Conselho de Estado da Chechênia - órgão pró-Moscou formado pelo governo russo - reuniram-se hoje e elegeram o ex- prefeito de Grozny Bislan Gantamirov presidente da República da Chechênia. Quando era vice-primeiro-ministro chcheno num governo pró-Rússia, em 1996, Gantaminov foi preso por ter desviado fundos públicos para a reconstrução do território após o fim da Guerra da Chechênia (1994-1996) e só recentemente a Justiça russa o indultou. Em outubro, Putin disse que não reconhecia mais o presidente checheno, Aslan Maskhadov.
Em entrevista à imprensa, Putin confirmou hoje que será candidato à presidência em junho. A até agora bem-sucedida operação russa no Cáucaso inflou a popularidade de Putin, que hoje ganhou mais um poderoso apoio: o do patriarca da Igreja Ortodoxa russa, Alexiy II. Ele emitiu um comunicado em apoio "às tarefas antiterroristas das tropas russas e de órgãos da lei".
A Rússia começou a bombardear a Chechênia depois que rebeldes islâmicos, com bases no território checheno, invadiram a vizinha república russa do Daguestão em agosto e setembro. Eles também são responsabilizados pelo Kremlin pela onda de atentados que matou cerca de 300 pessoas, nesses mesmos meses, na Rússia.

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