PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de novembro de 1999
Por Chiquinho Leite Moreira 
São Paulo, 12 (AE) - A já sempre vibrante Copa Davis vai ganhar ainda mais emoção no ano 2000, com a possibilidade da troca do tenista titular no último dia de jogos, em qualquer circunstância, portanto, mesmo que o confronto ainda não tenha sido decidido por 3 a 0, na melhor de cinco partidas. A novidade foi confirmada hoje, no Clube Sírio, em São Paulo, pelo recém empossado presidente da Federação Internacional de Tênis (ITF), o italiano Francesco Ricci Bitti, que participou do congresso da Cosat - Confederação Sul Americana de Tênis - à convite do presidente da Confederação Brasileira, Nelson Nastás.
Até agora, na Davis a mudança de um titular de simples só era permitida por contusão, nem sempre muito clara e comprovada. Isso costumava acontecer quando o confronto já estava decidido, com uma equipe alcançando a vantagem de 3 a 0. A partir do próximo ano, a substituição de um tenista ganha carácter estratégico, com os técnicos de cada país colocando em quadra o jogador que julgar melhor para as partidas do domingo, que marca o último dia de competição.
A Davis também ganhou em 2000 um novo calendário, já conhecido. Os confrontos foram melhor acomodados em relação aos torneios da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) para garantir aos jogadores melhores condições para eventuais mudanças de pisos e viagens. Este ano ainda, os jogos da Davis estavam muito próximos de competições importantes, como o torneio de Key Biscayne. Agora, um jogador de Copa Davis pode jogar estas competições e mesmo que chegue a final terá praticamente duas semanas para preparar-se para defender seu país, adaptando-se às condições do confronto.
Além destas mudanças na Davis, Ricci Bitti também explicou os motivos que levaram a ITF a não dar ao Brasil a condição de cabeça-de-chave no Grupo Mundial de 2000. Revelou que os critérios, além dos ranking dos jogadores, são subjetivos e julgou que falta tradição ao Brasil - que este ano pela primeira vez na história ganhou um confronto de Davis fora de cada, ao derrotar a Espanha, em Lerida - não permitira ser designado como cabeça-de-chave, pois também os tenistas brasileiros quase não têm bons resultados em outra superfície que não seja o saibro. Gustavo Kuerten ganhou vários jogos no cimento e na grama, este ano, mas não venceu um título que não tenha sido no saibro.
SYDNEY 2000 - Com muitos planos e disposição, o novo presidente da ITF, Francesco Ricci Bitti, tem esperanças de já nos Jogos de Sydney 2000 fazer com que o torneio olímpico de tênis conte pontos para o ranking mundial. O dirigente disse que dentro de 15 dias terá uma definição para este caso. Mas, a ATP, já deixou claro que dificilmente esta determinação seja aprovada
justamente pelo critério de definição da chave olímpica, totalmente diferente dos torneios da Associação. Na olimpíada, além do ranking dos tenistas, vale também o critério geográfico, garantindo a um maior número de países participantes no torneio olímpico.
O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, que também esteve no Sírio hoje confessou-se otimista com a possibilidade de o tênis contar pontos na Olímpiada e fez muitos elogios à direção de Nelson Nastás na CBT. "Desde que ele (Nastás) entrou dá para se notar as diferenças e os progressos apresentados pela modalidade no Brasil".
RANKING - Gustavo Kuerten está muito próximo de se tornar o tenista número 4 do ranking da ATP, já na lista da próxima segunda feira. Mas, para isso, ainda depende de alguns resultados no torneio de Estocolmo. O sueco Thomas Enqvist pode ganhar a posição do brasileiro. Precisaria, porém, conquistar o título - que daria 200 pontos no ranking - e somar mais de 53 pontos de bônus.
A diferença de Guga para Enqvist é de 253 pontos. Por isso, para o tenista sueco já não bastaria mais ganhar Estocolmo
tem de, invariavelmente, enfrentar o equatoriano Nicolas Lapentti nas semifinais para ter os pontos de bônus suficientes.
Enqvist já acumulou bônus de Fernando Vicente, 12, depois outros três de Jens Knippschild e mais dois de Andreas Vinciguerra. Precisa ainda dos 36 pontos proporcionados por Lapentti (8º do ranking mundial) e não adiantaria ter Magnus Norman, mas semifinais, pois na final só teria chance de ganhar mais 6 pontos, tanto se enfrentasse Magnus Gustafsson como Jan Michael Gambill. Portanto, se Enqvist levar o título, com vitória sobre Lapentti, nas semifinais, somaria 59 pontos, mais 200 pela conquista, o que o colocaria à frente de Guga.
O atual quarto colocado no ranking, Todd Martin, soma 2.583 pontos contra 2.563 de Guga, uma diferença de apenas 20 pontos. Nenhum dos dois jogadores está disputando torneios esta semana e Martin, justamente, defende pontos de campeão do ano passado em Estocolmo, quando recebeu 200 pela vitória e acumulou 65 de bônus. Assim, perde na pontuação desta semana 265 pontos, o que abriria a quarta colocação para Guga, caso Envist não estrague a festa.


