Kiev, 12 (AE-AP) - A União Soviética pode estar morta, mas Petro Symonenko está convencendo muitas pessoas a votarem em seu sonho de trazer de volta o comunismo, forçando o presidente pró-Ocidental da Ucrânia a enfrentá-lo num segundo-turno.
Depois de ter conseguido evitar que o presidente Leonid Kuchma se reelegesse no primeiro-turno em 31 de outubro, Symonenko está agora tentando convencer moderados e eleitores indecisos de que eles não têm nada a temer com uma volta do comunismo. Ele promete manter o direito à propriedade privada, apoiar os empresários e restaurar igrejas, apesar das políticas atéias dos comunistas.
Mas a plataforma de Symonenko também prevê controle de preços, economia planejada pelo Estado com fortes subsídios para indústrias-chave, banimento de venda de terra, um provável monopólio governamental no comércio exterior e uma "recusa a continuar com a política de liberalização econômica e monetarismo".
Pesquisas de opinião apontam para uma vitória apertada de Kuchma no segundo-turno de domingo, mas elas também indicam que Symonenko pode ganhar se houver um baixo comparecimento às urnas. Os comunistas têm o maior partido, e dispõem de uma grande e disciplinada máquina partidária com bastante apoio.
No primeiro-turno, Symonenko conquistou 22,2% dos votos, contra 36,5% de Kuchma. Outros candidatos esquerdistas derrotados no primeiro-turno agora apóiam Symonenko, aumentando suas chances.
A vitória de um comunista na Ucrânia, um país de 50 milhões de habitantes situado entre a Europa Ocidental e a Rússia, provavelmente faria soar alarmes no Ocidente. Os Estados Unidos têm trabalhado duro para promover políticas pró-ocidentais na Ucrânia sob Kuchma, e Kiev é o terceiro maior receptor de ajuda dos EUA.
Kuchma tem tentado jogar com as preocupações públicas com o comunismo. A ideologia comunista "sofreu uma derrota total... Ela é imoral, engana o povo", disse Kuchma recentemente.
Symonenko diz que o presidente está explorando slogans anticomunistas a fim de esconder seus erros, notavelmente seu fracasso em melhorar a abalada economia da Ucrânia ou em acabar com a corrupção generalizada.
"Existe um dura campanha de propaganda, uma campanha terrorista contra mim como candidato e contra toda a direção política que eu represento", reclamou Symonenko.
Alguns analistas, entretanto, afirmam que a plataforma comunista tem mais a ver com uma campanha retórica, e prevêem que Symonenko irá abandoná-la caso vença.
"Em grande medida, Symonenko como presidente não iria implementar o programa do Partido Comunista. Ele iria cooperar com o campo esquerdista mais moderado... a fim de formar um governo de coalizão inclinado à esquerda", disse Mykola Tomenko
o diretor do Instituto de Política, um centro de estudos privado.
Poucos analistas acreditam que Symonenko iria voltar totalmente à era comunista sufocando os direitos humanos e a democracia. O Partido Comunista não fala em restaurar seu controle único da política ou em abolir as eleições.
"É impossível antever em detalhes o que iria ocorrer caso Symonenko fosse eleito presidente. Mas não haveria uma maior deterioração econômica", avaliou o sociólogo Serhiy Makeyev.
Ainda assim, muitos ucranianos estão preocupados com a proposta do chefe do Partido Comunista de formar uma aliança mais próxima com a Rússia e a Bielo-Rússia.
A plataforma de Symonenko critica duramente o Ocidente, especialmente os Estados Unidos e a Otan, por supostamente "ditarem" a política externa da Ucrânia.
Os planos de Symonenko agradam a grande minoria de fala russa da Ucrânia. Mas ela é mal vista pelos outros ucranianos, que vêem Symonenko como uma grande ameaça à independência que a Ucrânia conquistou da Rússia com o colapso soviético de 1991.
"Não consigo nem imaginar as consequências de uma vitória comunista para a Ucrânia", disse Leonid Kravchuk, o primeiro presidente da Ucrânia pós-soviética. "Significaria que perderíamos tudo, e primeiro de tudo nossa condição de Estado".

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