Jerusalém, 12 (AE-AP) - Uma das fotografias mais infames da história de Israel poderá agora ser vista sem retoques graças à decisão de um tribunal.
A foto, tirada em 13 de abril de 1984, mostra dois agentes do serviço secreto Shin Bet conduzindo um militante palestino, um dos quatro que tinham sequestrado um ônibus israelense. Mas, à época, o governo havia afirmado que todos os sequestrados tinham sido mortos no resgate do ônibus.
A fotografia, tirada por Alex Levac e publicada na ocasião pelo jornal Hadashot, que já fora fechado, provou que o Shin Bet estava mentindo. Ela motivou a abertura de uma investigação que conduziu à condenação de alguns altos funcionários do Shin Bet e fez tremer a agência de segurança.
Hoje, a foto - com o rosto dos agentes sem retoques - foi mostrada pelo jornal Yediot Hronot depois que um tribunal levantou uma proibição de publicação.
Até o escândalo, o Shin Bet era venerado como símbolo de eficiência e infalibilidade. O incidente do ônibus manchou sua reputação e provocou o início de investigações sobre o seu método de ação que se estendem até hoje.
Recentemente, por exemplo, o Supremo Tribunal de Israel decidiu que os agentes do serviço secreto não podem usar de força física para interrogar suspeitos palestinos.
Um dos agentes condenados no caso do sequestro, Yossi Ginossar, é hoje conselheiro íntimo do primeiro-ministro Ehud Barak. Porém, quando Ginossar fora designado para ocupar um cargo no governo trabalhista, uma tribunal, baseado em sua participação no incidente do ônibus, proibiu sua nomeação.
No jornal de hoje, os israelenses podem ver a dramática fotografia sem qualquer retoque. Um dos agentes está apontando ameaçadoramente para o fotógrafo, enquanto outros dois seguram os braços de um palestino nitidamente assustado.





