Moscou, 12 (AE-AP) - Em uma das mais duras declarações antiamericanas desde o fim da União Soviética, o ministro da Defesa russo acusou hoje (12) os Estados Unidos de estarem envolvidos num complô para enfraquecer a Rússia e assumirem o controle do Norte do Cáucaso.
"Os interesses nacionais dos EUA exigem que o conflito militar no Norte do Cáucaso, incentivado do exterior, esteja constantemente ardendo", disse o ministro Igor Sergeyev num discurso para altos oficiais militares.
A estratégia permitiria aos Estados Unidos "enfraquecerem a Rússia e assumir todo o controle do Norte do Cáucaso", afirmou Sergeyev no encontro, que teve a participação do primeiro-ministro Vladimir Putin.
A declaração reflete as tensões criadas nas relações entre Rússia e EUA pela campanha militar de Moscou na Chechênia, que segundo os russos visa eliminar militantes islâmicos.
Os Estados Unidos e outros países ocidentais têm dito que a Rússia deveria amenizar a campanha, que já causou muitas baixas entre civis e forçou a fuga de cerca de 200 mil pessoas da Chechênia.
Moscou tem rechaçado as críticas ocidentais, dizendo que quer esmagar terroristas que repetidamente atacaram regiões vizinhas. Os militantes também são acusados por uma série de explosões em prédios residenciais que matou cerca de 300 pessoas em setembro.
Sergeyev voltou a condenar a campanha da Otan na Iugoslávia no início deste ano, considerando-a um "desafio à Rússia". Ele disse que a Otan está tentando "enfraquecer a Rússia e empurrá-la para fora da região do Cáspio, da Transcaucásia e ásia Central".
O ministro também acusou os Estados Unidos de terem desestabilizado a situação global este ano ao promover um conceito para a Otan baseado "no uso da força, na desconsideração de normas legais internacionais universalmente reconhecidas, na ditadura e arbitrariedade".
Num outro sinal do aumento das tensões em suas relações com o Ocidente, um alto oficial militar afirmou hoje que a Rússia não pretende reparar seus laços com a Otan, congelados depois da ação militar da aliança na Iugoslávia.
"Não vemos ainda qualquer necessidade disso", disse o coronel- general Leonid Ivashov, chefe do Departamento de Cooperação Internacional do Ministério da Defesa, segundo a agência de notícias Interfax. "Não pode haver conversa sobre uma cooperação plena, incluindo a reabertura da missão da Otan em Moscou."

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