Díli, 12 (AE-AP) - Com dor e orgulho, os timorenses homenagearam hoje (12) a memória dos mais de 200 jovens assassinados em 1991 durante um protesto pacífico em um cemitério de Díli, fato que à época chamou a atenção mundial para o problema em Timor Leste.
"O sacrifício é necessário para a liberdade", disse o bispo timorense Carlos Belo à cerca de 10 mil pessoas que participaram de uma missa hoje cedo.
Esta foi a primeira vez que o aniversário do massacre pode ser celebrado sem medo de represálias por parte do exército indonésio ou de milicianos pró-Jacarta.
Belo descreveu como mártires e heróis da história de Timor Leste os jovens que morreram nas mãos dos soldados indonésios.
"Muitos morreram, especialmente os jovens", disse ele em uma igreja no centro da capital timorense, Díli. "Eles representam a esperança de Timor Leste".
Em 30 de agosto, os timorenses votaram pela independência em um referendo organizado e supervisionado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A última tropa indonésia deixou a ex-colônia portuguesa no mês passado e Jacarta entregou o território para a administração da ONU até que tudo esteja pronto para que os timorenses possam escolher seus líderes.
A matança de 1991, ocorrida no cemitério Santa Cruz, foi um acontecimento-chave da ocupação indonésia no Timor Leste, que começou em 1975 depois de Jacarta invadir a ex-colônia portuguesa.
O massacre no cemitério foi testemunhado por vários jornalistas estrangeiros. Um deles gravou a matança e contrabandeou a fita para fora da Indonésia, levando o problema timorense para todo o mundo. À época, a Indonésia limitava o acesso ao território.
Depois deste evento, a credibilidade da Indonésia na arena mundial nunca fora recuperada.
As pessoas massacradas no cemitério eram principalmente estudantes e jovens que estavam fazendo um protesto político durante o enterro de um camarada assassinado por soldados indonésios.
Os soldados abriram fogo inadvertidamente, e as estimativas independentes apontam para cerca de 271 mortos.





