São Paulo, 12 (AE) - O técnico de som Teodoro Negatinas de 43 anos, encontrou uma resposta para a filha pelo desaparecimento da mãe. "A mamãe está viajando a trabalho". Essa foi a desculpa para Géssica, de 9 anos, que está na casa de parentes, sobre a ausência de sua mãe, a dona de casa Liana Graciano Negatinas, de 41 anos. Ela foi presa na noite de quarta-feira acusada de tentativa de furto. O motivo para a punição foi ter permitido que três rapazes entrassem em sua casa para realizar uma ligação clandestina de televisão a cabo. Os três instaladores também foram presos.
Liana, que sempre teve uma vida tranquila ao lado de seu marido e dois filhos, está desde quarta-feira presa na carceragem do 18.º Distrito Policial, no Alto da Mooca, com mais 68 presas, grande parte delas presa sob acusação de tráfico de drogas. "Apesar da minha mulher ser dona de casa, dei essa desculpa da viagem", afirmou Teodoro. "Não quero que minha filha fique sabendo o que de verdade aconteceu com ela". Desde quarta-feira, Teodoro e seu filho Antônio Carlos, de 19 anos, estão correndo atrás de advogados para que Liana seja solta o mais rápido possível. "A nossa vida foi destruída de uma hora para outra", relatou Teodoro. "Não trabalhamos, comemos ou dormimos mais e o pior: não sabemos o que fazer".
Segundo a sogra de Liana, a aposentada Fevronígia Negatinas, de 72 anos, os três rapazes foram até sua casa e disseram que tinham sido chamados para realizar uma ligação clandestina. Seria conectado em seu televisor os canais pagos da Net. "Ela disse que não queria e eles foram embora, mas voltaram minutos depois", explicou a sogra. "Acho que eles fizeram a cabeça dela e ela acabou deixando entrarem em casa". Nesse instante, os instaladores e a dona de casa foram flagrados por policiais que estavam de folga, mas que faziam bico para Net.
Levados ao 56.º Distrito Policial, todos foram autuados com base no artigo 155 do Código Penal. O crime não permite pagamento de fiança à polícia. Só a Justiça poderá decidir se a dona de casa pode ser solta. Solidariedade - Durante todo o dia de hoje várias pessoas, entre vizinhos e amigos, foram até a casa de Liana saber o que estava acontecendo. Todos estavam revoltados com a situação. "Não é possível, será que ninguém vê que ela é uma mãe de família e uma mulher honesta", disse a vizinha Eunice Lins, de 67 anos. Para os vizinhos ela foi iludida pelos rapazes. "Ela caiu no conto do vigário", disse a dona de casa e vizinha Eudokia Cassin, de 59 anos. "O bairro inteiro está indignado com essa situação e queremos ela de volta".
A advogada Maria Benedita Marques, que foi contratada pela família para tirar a dona de casa da prisão, entrou na quinta-feira no com um pedido de liberdade provisória no Departamento de Inquérito Policia (Dipo). "Se for negado, vou entrar com um pedido de habeas corpus", comentou.

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