Por Jair Aceituno, especial para a AE
Bauru, SP, 12 (AE) - Milhares de passagens de ônibus urbanos que o Hospital de Reabilitação de Lesões Lábiopalatais da Universidade de São paulo (USP) adquire para servir a seus pacientes e funcionários, por meio de uma fundação de estudos, vêm sendo vendidas em casas de diversões eletrônicas da cidade. A denúnica foi feita pelo vereador José Carlos de Souza Pereira Batata (PT) que ontem comprou 1.800 desses passes. Depois de certificar-se de que faziam parte da série adquirida pelo hospital, o parlamentar fez um boletim de ocorrência no 3.º Distrito Policial da cidade, pedindo a apuração de como teria ocorrido o desvio e as responsabilidades.
Segundo o vereador petista, há um mês ele recebeu a denúncia de que os passes de ônibus do hospital eram vendidos em larga escala no mercado paralelo e começou a investigar. Ontem à tarde, sua mulher e assessora, Estela, diante da informação de que a remessa já havia chegado, foi até a loja de fliperama denominada Sorveteria Avenida, na quadra 9 da Avenida Rodrigues Alves, no centro da cidade, e fez a compra dos passes a R$ 0,70 a unidade, isto é, com um deságio de R$ 0,10, uma vez que o preço da passagem é de R$ 0,80. Justificou a quantidade pretendida dizendo que trabalha com uma agência de empregadas domésticas e pagou com um cheque, que foi sustado.
O delegado Dinair José da Silva instaurou inquérito e começou a ouvir os envolvidos na tarde de hoje. A vendedora Vanilza Rodrigues dos Santos Sales disse ter recebido 2.500 passes de um homem que conhece apenas como Roberto. Ela ficaria com R$ 0,09 de comissão, pagando R$ 0,61 pela unidade. Já começaram a ser ouvidos também os funcionários do hospital. Através deles, o delegado pretende saber quem são os responsáveis pela administração e manipulação das passagens. O delegado não tem dúvida de que existem irregularidades na distribuição e procura apurar como elas ocorrem. Ministério Público - Além do inquérito policial, o vereador ainda vai encaminhar a denúncia aos Ministérios Públicos Estadual e Federal, pois o hospital recebe verbas tanto do Estado quanto da União. A direção da entidade vai apurar a questão por meio de sindicância. A ouvidora da entidade, Maria Helena Bachega, disse que a polícia terá todo o apoio na apuração porque "esses fatos não podem passar impunes e acabar prejudicando a imagem de uma instituição com mais de 30 anos, que sempre prestou grandes serviços à comunidade".

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