Brasília, 12 (AE) - O Parque Nacional da Serra da Capivara, com 130 mil hectares, em São Raimundo Nonato, no Piauí
está ameaçado por desmatamentos e queimadas em áreas vizinhas. A denúncia é da diretora da organização não-governamental Fundação Museu do Homem Americano (Fumham), arqueóloga Niéde Guidon, que pediu ajuda ao Ministério do Meio Ambiente e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para evitar o que chama de "destruição premeditada" do Parque.
Segundo a arqueóloga, grupos ligados a fazendeiros e pecuaristas do Piauí estão doando cestas de alimentos para posseiros desmatarem áreas vizinhas ao parque. A distribuição de cestas, disse, tem sido constante nos últimos três anos. Em alguns casos, a distribuição é financiada por prefeituras do Piauí, mas Niéde não revelou quais seriam essas administrações.
A diretora da Fumdham esteve esta semana em Brasília e entregou um documento ao ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann, denunciando a irregularidade. No documento, Niéde revela um plano de invasão das terras "da periferia do parque" por grupos interessados em receber indenizações do governo federal. Segundo Niéde, os posseiros promovem os desmates e não plantam. A alegação é de solo inadequado. "É aí que entram os doadores de cestas aliciando os produtores", diz. Por isso o Parque da Capivara tem sofrido grandes incêndios, como ocorreu este ano, quando mais de 800 hectares foram destruídos. Além disso, os posseiros andam armados e caçam ilegalmente no parque.
"As derrubadas e as queimadas são uma ameaça constante e têm deixado o parque vulnerável", afirma a arqueóloga. O Parque Serra da Capivara foi criado em 1979 e somente em 1986 foi efetivado de fato e de direito. Niéde admite que a fiscalização do Parque da Capivara é falha. "O Ibama tem apenas dois fiscais para cuidar de 130 mil hectares", explica a diretora da Fumdham, ao defender uma fiscalização mais intensa na área.
Erosão - Além das ameaças de queimadas e derrubadas, as derrubadas patrocinadas pelos pecuaristas expõe o Parque Nacional da Serra da Capivara a um outro grave problema: a erosão. De acordo com a diretora da Fumdham, devido às derrubadas em áreas vizinhas ao parque algumas regiões já apresentam "fortes marcas" da erosão.
"Se nada for feito, o parque ficará seriamente ameaçado", alerta Niéde, que reclama da falta de apoio dos órgãos federais para ampliar a fiscalização no parque. Até o ano passado, segundo ela, a entidade que dirige tinha um quadro funcional de 60 pessoas. "Hoje, devido à crise financeira, esse número foi reduzido para apenas 30 pessoas". A erosão castiga outras áreas do Piauí. A cidade de Grugéia é uma delas e o processo se acentuou devido aos desmatamentos feitos pelos posseiros que teriam sido financiados com as cestas de alimentos. "A cidade está quase totalmente destruída pela erosão."

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