PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de novembro de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 12 (AE) - O estudante Ian Tognozzi, de 13 anos, foi queimado por dois colegas na quarta-feira (10) à noite , no Instituto Petropolitano Adventista de Ensino (IPAE), em Petrópolis, RJ. Ele estudava em um dos quartos do internato com três garotos quando dois deles jogaram álcool no corpo de Ian e atearam fogo. O adolescente teve queimaduras de primeiro e segundo graus nas pernas, mãos, orelhas e barriga. A mãe do menino, Tatiana Constant, prestou queixa hoje na 105ª Delegacia Policial.
Ian contou que Wesley Garcia, de 18 anos, I. e R., ambos de 16 anos, o convidaram para estudar no quarto onde o grupo dormia. Irritados com a dispersão do colega, que afirmou não conseguir se concentrar nos estudos, Wesley e I. teriam jogado álcool no corpo do adolescente e ateado fogo. Em chamas, Ian foi socorrido pelo colega R. e dois funcionários da escola, identificados pelo menino apenas como Rafaele Edmilson.
"Antes de me queimar, Wesley olhou para mim e disse: Eu sou mau", afirmou Ian, que não quer mais voltar à escola, onde está desde agosto. "Tenho medo do que pode acontecer; os dois me pediram desculpas, mas não dá para desculpar uma coisa dessas", disse.
"Esses garotos são como os que incendeiam índios e mendigos", afirmou Tatiana Constant, lembrando a morte do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, queimado em abril de 1997 por cinco jovens de classe média, em Brasília, enquanto dormia em um ponto de ônibus.
O presidente da OAB de Petrópolis, Herbert Cohn, disse que as Comissões de Direitos Humanos e da Criança e do Adolescente da Ordem vão acompanhar o caso. Para Cohn, a escola deve ser responsabilizada pelo que aconteceu. "Pelo artigo 159 do Código Civil todo e qualquer ato de omissão deve ser punido"
afirmou. Tatiana Constant não culpa o IPAE pelo que ocorreu. "A única coisa que eu quero é que esses garotos sejam punidos"
afirma.
O diretor do IPAE não foi encontrado pela reportagem para comentar o caso.


