São Paulo, 12 (AE) - O promotor de Justiça Gabriel César Inellas recorreu hoje ao Tribunal de Justiça de São Paulo contra decisão do juiz da 7ª Vara Criminal da Capital que rejeitou a denúncia contra Ivo Noal e outros 62 banqueiros do jogo do bicho
acusados de formação de quadrilha e corrupção ativa. A ação acusava, ainda, 43 delegados e investigadores de polícia, pela prática de corrupção passiva. O inquérito que o juiz mandou arquivar tem 564 volumes e 210 mil páginas - o maior da história da Justiça paulista. Denuncia suposto esquema de corrupção e distribuição de propina para acobertar e facilitar a prática do jogo de bicho no Estado de São Paulo.
A denúncia, rejeitada dia 29 de outubro, havia sido formulada no dia 15 de abril de 1997. Até ser apreciada pelo juiz, seis indicados morreram. O fundamento da rejeição foi de que ela "não explicita, não especifica, nem individualiza o montante de cada pagamento, realizado de forma continuada". Em suas razões, Inellas sustenta que, segundo a jurisprudência dominante, essas descrições são desnecessárias nos casos de crime coletivo. E argumenta que existem provas suficientes - periciais, documentais e testemunhais -, no inquérito, para instauração de processo-crime. O recurso levará cerca de 2 anos para ser julgado pelo Tribunal de Justiça.

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