PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de novembro de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 12 (AE) - Quatro pessoas morreram e quatro ficaram feridas por volta da 1h30 de hoje, no desabamento parcial do edifício residencial Ericka, no bairro de Jardim Fragoso, em Olinda, PE. Morreram uma mulher e seus dois filhos, além de um bebê. Os feridos não correm risco de vida. O prédio tinha quatro andares e oito apartamentos, onde moravam 21 pessoas.
Morreram Tiago Moraes Lins, de um ano e meio, Maria de Fátima Pereira, 37 anos, e seus filhos Tadeu e Taís, de 6 e 10 anos . Os bombeiros encontraram Maria de Fátima abraçada aos filhos, como se os protegesse. Os feridos são Fred Barbosa Lins e Verônica Maria Moraes, de 40 anos - avós de Tiago -, Noêmia Cristina Moraes, de 19 anos, mãe do bebê, e Michele Moraes Lins, de 16, e tia da criança.
Os bombeiros foram avisados do desabamento pela empregada doméstica Elza Gonçalves, que trabalhava no apartamento do síndico. Ela acordou com o estrondo, pulou do primeiro andar e telefonou pedindo socorro. A parte em que estava não desabou. Cerca de 50 bombeiros participaram dos trabalhos, suspensos por volta das 10 horas diante do perigo de desabamento do restante do prédio.
Demolição - A parte frontal do edifício será demolida pela prefeitura, pois apresenta rachaduras e há risco iminente de desabamento. Os prédios vizinhos foram desocupados e o local isolado pelo Corpo de Bombeiros. Os sobreviventes conseguiram sair ou foram resgatados com a roupa do corpo. Eles aguardam laudo do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) para acionar os responsáveis.
Numa vistoria conjunta, feita à tarde pelo Instituto de Criminalística (IC), Corpo de Bombeiros e CREA, os técnicos verificaram que a edificação não tinha amarração. A qualidade e quantidade do material utilizado no prédio já haviam sido criticados por peritos criminais durante a manhã. "A estrutura é inadequada", disse Jairo Lima, do IC, ao ver os ferros dos escombros, que considerou muito finos. O laudo deve ser concluído em 30 dias.
Irregular - A construção também foi feita de modo irregular, de acordo com o secretário de Planejamento da Prefeitura de Olinda, Maurício Chaves. Ele disse que a Ferro Construção Ltda., responsável pela obra, só pediu licença para a construção depois de o prédio estar pronto. Mesmo assim, o "habite-se" foi concedido pela Prefeitura em janeiro de 1987.
De acordo com o presidente regional do CREA, Afonso Vitório, "não houve indícios anteriores ao desabamento". Ele fez a afirmação com base no testemunho do síndico do Ericka, Newton Uchôa Cavalcanti, e de outros moradores do prédio, que garantiram a ausência de rachaduras, infiltrações ou fissuras nos 12 anos de existência do prédio. Serão analisados o solo, o material usado na construção, a documentação e obras feitas pelo próprio prédio ou pelos prédios vizinhos que possam ter afetado a construção.


