São Paulo, 12 - O empresário Antonio Ermírio de Moraes disse hoje que o Grupo Votorantim é um grupo forte e rico, e que aplica seus lucros em reinvestimentos.
"O problema é que o Brasil é um País pobre e para se desenvolver, precisa de mais geração de empregos a cada ano. E o pior é que não se tem encontrado uma política, uma maneira de se dar ao País um desenvolvimento mais rápido e eficiente. Só isso reduziria a pobreza. Sempre venho alertando que a agricultura seria a grande saida, mas ninguém presta atenção a este fato. A agricultura é o único setor que pode responder rapidamente na geração de mais emprego e melhor desenvolvimento. Quando falo em novas oportunidades, falo sempre na agricultura e a agroindústria."
O comentário do empresário surgiu por causa da decisão do juiz da 10ª Vara de Justiça Federal em impedir o financiamento da AES para a compra da Companhia de Geração do Tietê.
Ele voltou a repetir que a decisão foi tardia e afirmou: "Se soubéssemos que o BNDES financiaria todos, não ficariamos surpreendidos. Mas, acontece que essa decisão foi comunicada pouco antes do leilão. Houve uma mudança na regra do jogo, sem dúvida alguma."
Antonio Ermírio admitiu que "o governo queria que as tarifas de energia elétrico no próximo ano tenha um ajuste de até 6% ao ano em 2000. Mas, é preciso que o governo também não permita ajustes em outros preços públicos, controlados por ele, como o de óleo combustível acima deste nível. No combate a inflação todos devem se sacrificar. Não pode haver privilégios".
Ele salientou que somente em 99, o preço do óleo combustível foi elevado em 108%. "Foi um ajuste elevado, muito alto mesmo"
afirmou Antonio Ermírio de Moraes, superintendente do Grupo Votorantim.
O secretário de Energia do Estado, Mauro Arce, salientou que ainda não há efetivamente uma decisão do governo em segurar as tarifas em 6%. Mas, ele lembrou que "tanto nas épocas em que as companhias de energia eram estatais, como ainda na época em que já eram privatizadas, se cortou as tarifas. E isto é um perigo, porque representa um desinvestimento futuro".
As distribuidoras de energia elétrica até o momento não receberam aviso algum da Agência Nacional de Energia Elétrica ou do Ministério de Minas e Energia sobre as tarifas a serem aplicadas no próximo ano, ao redor dos 6%. Um executivo do setor lembrou que muitos investimentos para o setor são realizados com recursos do Banco Mundial ou do Interamericano de Desenvolvimento, e com uma tarifa controlada, que não reflita os custos das companhias fica díficil que se obtenha os recursos.
Hoje a tarifa de energia no País está defasada, em decorrência da desvalorização cambial, segundo mostra um estudo de companhias do setor energético.
Hoje em média o preço do megawatt está em US$ 55. Poderia chegar a US$ 80. Mas, isto é considerado impossível se atingir de uma só vez. Seria preciso que houvessem aumentos espaçados. Há a certeza de que a inadimplência do consumidor aumentaria muito com uma tarifa elevada.

mockup