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sexta-feira, 12 de novembro de 1999
Por Aline Cury Zampieri e Irani Tereza 
São Paulo, 12 (AE) - A Varig registrou prejuízo de R$ 102,707 milhões nos primeiros nove meses de 99, um aumento de 136,30% em relação ao mesmo período de 98. No terceiro trimestre do ano, o resultado ficou negativo em R$ 9,482 milhões, ante lucro líquido de R$ 124,109 milhões no terceiro trimestre de 98. A empresa informa que obteve "algumas indicações objetivas de melhor desempenho no terceiro trimestre de 99". O ano, segundo a empresa, foi sazonalmente o mais forte em termos de tráfego e de resultados, embora ainda impactado pelos custos da reestruturação e pelas perdas cambiais do período (que se somam à amortização das anteriores).
O trimestre gerou 37% (R$ 1.194 milhões) da receita líquida do período de janeiro a setembro de 99, com um aumento de 18% sobre igual período de 98, apesar das reduções de oferta e transporte. O lucro bruto foi mantido em 31% da receita líquida (mesmo nível de 98). Do resultado negativo final do período, ou seja, R$ 103 milhões, apenas R$ 10 milhões foram gerados no terceiro trimestre, cabendo os restantes R$ 93 milhões aos primeiros seis meses do ano. O resultado, segundo a Varig, ainda é reflexo de uma pesada carga de despesas financeiras, perdas cambiais e custos da reestruturação.
O resultado financeiro da Varig no terceiro trimestre, apesar do saldo líquido negativo de R$ 9,4 milhões, foi considerado bom pelo diretor de Relações com o Mercado da empresa, Michael Conolly. "Num ano muito difícil, estamos conseguindo um resultado melhor do que no ano passado", afirmou.
Segundo ele, este resultado, além do impacto das perdas cambiais, ainda reflete a absorção dos custos da reestruturação da empresa. Este ano a Varig devolveu 15 aeronaves, permanecendo com uma frota de 81 aviões, e lançou um plano de demissões incentivadas para reduzir a folha de pagamentos.
Conolly garante que o processo de reestruturação já está concluído e não ocorrerão mais mudanças, "a menos que haja necessidade operacional". Ele comentou que o aumento das tarifas áreas, que teve liberação negada recentemente pelo governo, é importante para recompor a rentabilidade da companhia
que tem a maior parte de seus custos em dólar, mas alegou que, mesmo sem isso, a Varig está conseguindo melhorar seu caixa.
"Estamos saindo de uma fase difícil", disse ele. No ano passado, a Varig voltou ao vermelho, depois de um fôlego conseguido em 97 para a crise da empresa iniciada há cerca de cinco anos. Atualmente, a empresa espera uma decisão do BNDES sobre pedido de empréstimo de R$ 400 milhões. "Estes recursos serviriam para baratear a dívida da empresa", diz Conolly, argumentando que "não há necessidade de aumentar o endividamento", hoje em R$ 103 milhões.


