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sexta-feira, 12 de novembro de 1999
Por Lucinda Pinto 
São Paulo, 12 (AE) - A entrada da safra brasileira no ano 2000 pode não ser motivo de comemoração para a economia, como alguns imaginavam. Já está ocorrendo a recuperação de preços de alguns produtos agrícolas, atribuída ao aquecimento da economia internacional e ao temor de que haja uma quebra na safra brasileira. Preços mais altos de algumas commodities podem representar uma melhora na receita obtida com exportação, ainda que a safra seja frustrante. Mas podem também pressionar significativamente a inflação no próximo ano.
Analistas já atribuem parcialmente a elevação dos índices de inflação esta semana à expectativa de oferta menor de produtos no próximo ano. E há até quem acredite que, dependendo do desempenho da produção agrícola no fim do ano e no início próximo, o efeito positivo sobre a balança pode não ser tão relevante.
"O mercado está progressivamente mais nervoso e o repique inflacionário deste mês está relacionado, em parte, a esse efeito", afirma o professor-titular do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo, Fernando Homem de Melo. O economista aponta o café como um dos produtos que deverá recuperar receita com exportação no próximo ano.
A redução da demanda externa, a desvalorização do dólar e a grande oferta de grãos fizeram com que o preço chegasse a ficar abaixo de US$ 100 por saca no início do ano. Agora, com a reversão de todos esses fatores, o preço na Bolsa de Futuros de Nova York está em US$ 113 e, na opinião do economista, pode retomar o nível de 1998, perto de US$ 150 a saca, no primeiro semestre de 2000.
Já o milho, que o Brasil não exporta, mas tem efeito importante sobre os índices de inflação, teve seu preço elevado de R$ 9,21 a saca na primeira semana de setembro para R$ 13,38, em novembro. A soja, que tem seu preço mais relacionado a fatores externos, subiu de R$ 17,97 a saca para R$ 21,31 no mesmo período.
A queda dos preços no início de 99 foi motivo para um desempenho ruim da balança. No ano 2000, pode haver alguma recuperação, o que favorece a balança, mas pode ter um efeito perverso sobre a inflação.


