São Paulo, 12 (AE) - O cenário traçado pelos investidores internacionais para a economia brasileira no ano 2000 é de otimismo, com projeções de crescimento da ordem de 4 5%, inflação de 7%, superávit comercial de US$ 5 bilhões e investimento estrangeiro de cerca de US$ 20 bilhões. Outra estimativa dos analistas internacionais é de uma trajetória do juro em queda, chegando em dezembro do ano que vem à uma taxa anualizada de 14%.
A percepção otimista em relação ao desempenho do Brasil no ano que vem foi identificada pelo vice-presidente do Bradesco
Luiz Carlos Trabuco Cappi, que participou de uma apresentação com 28 investidores estrangeiros em reuniões individuais realizadas pelo JP Morgan e pelo Deutsche Bank em Nova York e Londres, nesta semana. Participaram dos encontros representantes de fundos de pensão, administradores de recursos de terceiros e analistas.
De acordo com Trabuco, os investidores norte-americanos e europeus revelaram que há clima de otimismo em relação ao Brasil por duas razões básicas: a capacidade de reação da economia brasileira e a melhora no fluxo de recursos para investimento no mundo. "Está havendo, novamente, excedente de capitais no mundo", afirma. "A América Latina e o Brasil, nesse sentido, beneficiam-se desse quadro, principalmente em razão da forte valorização ocorrida nos ativos da ásia."
As reuniões com os investidores deixaram claro que os analistas externos estão confiantes na condução da política econômica em consequência da surpresa positiva decorrente da reação da economia à desvalorização cambial de janeiro. "A surpresa é natural, pois não houve descontrole da inflação nem a recessão avassaladora que se preconizava inicialmente", disse Trabuco. "Diante dessa realidade, se está criando unanimidade em relação ao cenário do ano que vem."
O mais importante, segundo ele, é que os analistas deixaram claro que o Brasil está definitivamente inserido no mapa dessa nova geografia econômica desenhada pela globalização da economia.
Os encontros foram realizados para o Bradesco apresentar seus resultados em 1999 e mostrar seu desempenho aos investidores internacionais. O Bradesco, que possui um dos cinco programas de ADRs mais negociados na Bolsa de Nova York, conquistou 1,7 milhão de clientes até setembro, passando de 6,3 milhões para 8,1 milhões. "Isso demonstra que poderemos atingir a meta de 10 milhões de clientes até o fim do ano que vem", afirma Trabuco.
De acordo com a apresentação, o patrimônio dos fundos de investimento cresceu de R$ 26,9 bilhões para R$ 36,5 bilhões e o total de recursos captados de terceiros atingiu R$ 101,9 bilhões
ante R$ 83,5 bilhões no fim do ano passado. "Procuramos demonstrar que o Bradesco está em vantagem competitiva num ambiente de retomada do desenvolvimento econômico", disse Trabuco.

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