São Paulo, 12 (AE) - A inflação registrada pelos índices de preço ao consumidor está mais relacionada com o aumento de custo das empresas e ao efeito da valorização do dólar de agosto a outubro. A alta dos preços não está sendo impulsionada pelo crescimento da demanda. Essa avaliação - partilhada por alguns economistas - foi reforçada, hoje, pela divulgação do Produto Interno Bruto relativo ao terceiro trimestre e pelo Indicador de Movimentação Econômica.
Os dois indicadores confirmam que a economia brasileira não está passando por um consistente processo de recuperação. "As pressões sobre a inflação são localizadas e estão relacionadas ao custo", avalia Carlos Kawall, economista-chefe do Citibank. "Não há uma pressão provocada por crescimento da demanda." Por isso, diz, não se observam reajustes em preços de serviços, que seria um movimento quase natural se a economia estivesse em pleno crescimento.
O economista-chefe do Inter American Express, Marcelo Allain, avalia que as pressões sobre a inflação são localizadas, por enquanto. "O cenário atual não é de reajustes generalizados
mas é preciso tomar cuidado", diz.
Allain, ao contrário da maioria dos analistas, projeta uma inflação no limite da meta fixada pelo governo para o ano 2000. O ponto médio da meta é 6%, mas ele considera que a alta do custo de vida medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo ficará próxima de 8%. A principal razão é que os preços das commodities estão crescendo e vão provocar aumento dos alimentos no País.
Odair Abate, economista-chefe do Lloyds Bank, também alerta para o fato de que a elevação do preço das commodities agrícolas é "uma boa notícia para as exportações, mas não para a inflação". Outra preocupação é o preço do petróleo, que se continuar subindo poderá levar a um novo aumento da gasolina em algum momento.

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