São Paulo, 12 (AE) - O Grupo Pão de Açúcar está investindo R$ 1 milhão na mudança do formato de duas lojas da Divisão Eletro. O projeto, que deverá ser estendido para as demais 71 unidades da divisão até metade do ano que vem, cria uma nova disposição das mercadorias no ponto-de-venda, amplia o número de itens de 2,5 mil para 5 mil, e engloba produtos de bazar e sazonais, que não eram vendidos até agora pela rede.
Com as mudanças, a expectativa da companhia é aumentar em 50% as vendas das lojas reformuladas em relação às tradicionais em janeiro do ano que vem em comparação com igual período deste ano, disse o diretor-executivo do Eletro, George Washington. Ele explicou que, com a incorporação de artigos de bazar para a casa e de produtos sazonais, como brinquedos, será possível melhorar a margem de vendas e proporcionar descontos nos preços dos eletrodomésticos.
Hoje ele inaugurou a primeira unidade nesse novo formato na Lapa, em São Paulo. A próxima loja a ser convertida será a de Guarulhos (SP) e, em dezembro, começará a funcionar a unidade de Suzano (SP) nos novos moldes. A Divisão Eletro faturou no ano passado R$ 321,8 milhões e respondeu por 7,3% das vendas líquidas do Grupo Pão de Açúcar.
"Esse novo formato de loja segue uma lógica de compra"
disse Washington. Os produtos estão dispostos de uma maneira que permita que o comprador circule na loja, compare preços, teste os eletrodomésticos expostos nas prateleiras e leia a ficha técnica de cada produto, com especificações sobre tamanho, peso e voltagem.
Os vendedores também se diferenciam das lojas tradicionais porque receberam instruções dos fabricantes para explicar o funcionamento de cada produto. Nesse novo conceito de loja, nichos de mercado como telefonia fixa e informática estão ganhando força. Washington destacou que é intenção da companhia mexer no conceito de assistência técnica ao consumidor em parceria com a indústria.
Otimista com o mercado, Washington acredita que o ano 2000 será favorável para o setor de eletroeletrônicos e acrescentou que a empresa está trabalhando para aumentar o crédito.
Com taxa normal de 4% ao mês no crediário, por dois dias (sexta e sábado) a companhia decidiu reduzir os juros promocionalmente para 2,9% ao mês para todas as mercadorias da loja da Lapa. A expectativa é ampliar em 30% as vendas com o corte promocional nos juros. "Estamos testando a redução de juros para ver se o aumento de volume compensa", disse o diretor comercial de não alimentos do Grupo Pão de Açúcar, Alexandre Bossolani.
Lucro - O Grupo Pão de Açúcar registrou um lucro líquido de R$ 40,7 milhões no terceiro trimestre de 99, com queda de 13 6% frente a igual período do ano passado. No acumulado até setembro, o resultado apontou prejuízo de R$ 21,354 milhões, ante lucro de R$ 125,420 milhões no mesmo intervalo de 98.
O diretor de relações com investidores da empresa, Ricardo Florence, considerou "excelente" os resultados e destacou que o prejuízo até setembro ocorreu basicamente em função da desvalorização do real, no início do ano. O impacto cambial somou R$ 210 milhões, dos quais R$ 148 milhões já foram reconhecidos este ano.
Florence afirmou que a companhia pretende renovar suas dívidas de curto prazo corrigidas em dólar por um indexador em moeda nacional. Ele afirmou que a taxa ainda está sendo estudada
mas provavelmente será a Selic. Segundo ele, tal endividamento soma atualmente R$ R$ 831 milhões.
O diretor comentou que a melhora de resultados do Grupo Pão de Açúcar conduz para uma margem de EBITDA (geração operacional de caixa) entre 7% e 8% no ano 2000. "Não se trata de uma projeção oficial, mas estamos trabalhando para melhorar a margem, que até setembro deste ano está na casa de 7%.
O diretor afirmou que o grupo pretende lançar no próximo ano 500 produtos com a marca Barateiro. Segundo ele, o objetivo é elevar dos atuais 2% para até 15% a participação desses produtos nas vendas da rede Barateiro. "A principal vantagem para o consumidor estará nos preços mais baixos", disse.
Florence comentou que a margem de ganho para a companhia também é um pouco maior. Ele explicou que, mesmo vendidos mais barato, os produtos com marca própria possuem custos reduzidos. Uma das economias, segundo ele, é com publicidade.
Ele disse ainda que a iniciativa das marcas próprias faz parte da estratégia prevista na parceria com o grupo francês Casino Guichard Perrachon. O próximo passo será a busca de ganhos de escala, mediante compras globais de produtos.
Atualmente, os importados respondem por apenas 5% da linha de produtos do Pão de Açúcar e o objetivo, segundo Florence, é elevar esse percentual. "Ainda não temos uma meta definida; isso vai depender do comportamento do câmbio", ponderou.
Segundo Florence, o foco da companhia para futuras aquisições inclui os Estados do Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Ele disse que a preferência se justifica pelo fato de serem regiões vizinhas a São Paulo. O executivo disse que as alternativas de investimento concentram-se nas redes em modelo supermercado, uma vez que existem poucos hipermercados no País. "De qualquer forma, estamos atentos às oportunidades", ressaltou.
Florence afirmou que, no geral, o grupo está buscando um crescimento balanceado entre lojas de supermercados e hipermercados. Recentemente, o grupo comprou quatro lojas da rede de supermercados Shibata e arrendou duas unidades da marca Mogiano, em Mogi das Cruzes (SP). O valor da transação ficou em R$ 36 milhões.
O diretor estimou que o faturamento conjunto das lojas Shibata e Mogiano deve ficar entre R$ 150 milhões e R$ 170 milhões este ano, chegando a R$ 220 milhões no ano 2000. Florence afirmou que os preços tendem a ficar estáveis neste final de ano. Segundo ele, o grupo tem conseguido "enfrentar bem" as negociações com fornecedores. "O que existe atualmente são apenas algumas pressões isoladas, como decorrente do período de entresafra da carne, por exemplo."

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