São Paulo, 12 (AE) - O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola não descarta a hipótese de um aumento da taxa selic se os índices de inflação ao consumidor continuarem em alta até a próxima reunião do Copom, em 15 de dezembro. Ao mesmo tempo, o BC vai tentar segurar uma alta do câmbio que, segundo Loyola, é uma pressão adicional para a inflação à medida que afeta os preços dos produtos no atacado.
"O BC trabalhava com uma meta inflacionária folgada, mas contava com um recuo na taxa de câmbio que não ocorreu", disse o ex-presidente do BC, explicando que a expectativa do BC talvez estivesse em torno de R$ 1,75.
Segundo Loyola, o governo "tardou" em reagir às pressões inflacionárias desencadeadas pela desvalorização inicial do real em janeiro último e pela segunda rodada de desvalorização, a partir do mês de agosto. Só com a autorização do FMI, que liberou US$ 2 bilhões das reservas para a atuação no câmbio, o BC pode intervir no mercado.
Ao manter a taxa Selic inalterada em 19%, o BC admitiu que a inflação incomoda, segundo Loyola, o que vai contra o último "Relatório de Inflação", divulgado pela autoridade monetária no início de outubro. O relatório de inflação traz previsões para a inflação até o fim de 2001, a partir de projeções feitas por um modelo econometrico. "Talvez o BC não tenha atualizado os parâmetros do modelo para o fato do câmbio te se desgarrado", ponderou Loyola, afirmando que o BC "confiou demais" em seu modelo de previsões.

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