Rio, 12 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou hoje que o altos índices de inflação no mês de outubro não devem se repetir porque foram influenciados por fatos transitórios. "A inflação não voltará ao Brasil", disse Malan na saída de um almoço em sua homenagem no Jockey Club, no Centro
promovido por 28 entidades empresariais do Rio.
Ele lembrou que os reajustes dos automóveis foram a principal influência na taxa de 1,19% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ,divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Ninguém em sã consciência imagina que vá haver aumento de 12% no preço dos carros nos próximos meses", afirmou Malan em seu discurso durante o almoço.
Outros aumentos que pressionaram a inflação, como o da carne e do álcool, também não irão se repetir, afirmou o ministro. Ele rejeitou a tese de que os Índices de Preços ao Consumidor (IPC) irão receber totalmente o repasse da inflação no atacado. O ministro afirmou que com a desvalorização do dólar
o que houve foi a elevação dos preços de produtos cujos valores são fixados no mercardo internacional, um efeito que era esperado.
"Não há nada errado em o Índice de Preço ao Atacado (IPA) crescer um pouco mais que o Índice de Preço ao Consumidor (IPC)", afirmou Malan. O ministro também negou que o governo esteja pensando em controlar as tarifas públicas para impedir novos aumentos no custo de vida. "O que governo está discutindo é a aplicação dos contratos que existem e regem os processos de correção destes preços", explicou. "Não vamos utilizar a capacidade eventual de interferência do governo no sistema de tarifas públicas, há seis anos dizemos que isto não funciona".
Margem de erro - Malan garantiu que a meta de inflação estipulada pelo governo este ano será cumprida, mas lembrou que ela tem uma margem de erro de mais ou menos 2% sobre a taxa de 8%. O ministro lembrou que esta margem foi adotada no sistema brasileiro porque, ao contrário de outros países, que adotam metas de inflação, o Brasil incluiu no índice a ser alcançado preços de produtos sujeitos a grandes variações. Ele garatiu que o governo também continua comprometido com as metas de 6% de inflação no ano que vem e 4% em 2001.
Segundo Malan, a escolha foi feita para não dar a impressão de que, como no passado, os índices brasileiros de inflação estivessem sendo manipulados pela exclusão de preços. "Preferimos o índice cheio, e é esse que está captando todas as altas do petróleo", declarou. Outro motivo para essa escolha, esclareceu, foi para dar ao Banco Central maior margem para analisar e reagir a choques de preços do mercado externo.
De acordo com o ministro, o déficit da balança de pagamentos deve cair mais "um par de bilhão de dólares" em 2000. Este ano, o déficit chegou a US$ 900 milhões até outubro e deverá ficar US$ 5,5 bilhões inferior ao de 1998 que foi US$ 6,6 bilhões. A redução, para o ministro, demonstra uma reação positiva em um ano no qual a balança comercial brasileira foi afetada pelo forte aumento do petróleo e a queda de preços de produtos importantes na pauta de exportações do País.
O ministro lembrou também que no ano que vem as amortizações da dívida externa brasileira serão US$ 15 bilhões inferiores ao volume de pagamentos deste ano, o que vai ajudar a situação econômica do País. O ministro também afirmou que o Brasil tem condições para crescer 4% no ano 2000 e alcançar taxas superiores nos anos seguintes.
Malan, no entanto, disse que as suas previsões podem não se concretizar. Para isto, citou uma coluna publicada nesta semana, pelo escritor Luis Fernando Veríssimo, nos jornais "O Estado de S. Paulo" e "O Globo", segundo a qual a grande lição do século XX foi que devem ser acrescentadas "salvo erro" a todas as previsões e "salvo evidência em contrário" a todas conclusões.
Na saída do evento, Malan foi perguntado pelos jornalistas sobre como os trabalhadores deveriam usar o 13º salário. "Pesquisem antecipadamente, procurem os melhores preços e sejam felizes no Natal e no Fim de Ano", respondeu.

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