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sexta-feira, 12 de novembro de 1999
Por Lu Aiko Otta 
Brasília, 12 (AE) - O coordenador de Defesa da Concorrência da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Paulo Corrêa, disse hoje que uma eventual aquisição da Skol pela Kaiser também terá de ser analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). "Esse negócio também poderia ser contestado, porque também seria uma concentração de mercado", observou.
A venda da Skol foi sugerida no parecer elaborado pela Seae sobre a criação da AmBev, resultado da fusão da Antarctica com a Brahma. A Seae sugeriu que a transação só não causará prejuízos à concorrência se a AmBev vender a Skol, hoje de propriedade da Brahma. A decisão final sobre o caso, porém, caberá ao Cade.
Uma das principais críticas à recomendação da Seae foi o fato de que, vendendo a Skol, a AmBev terá queda em sua participação no mercado de cervejas. De acordo com dados da consultoria Nielsen relativos ao período de abril e maio deste ano, utilizados pela Seae, a Brahma tem 22,1% do mercado de cervejas que, somados com os 26,4% da Skol, rendem uma participação total de 48,5%. Já a Brahma, sem a Skol, somada à Antarctica, teria uma fatia de 45,2% do mercado. Portanto, se for seguido o que a Seae está sugerindo, a concentração no ramo de cervejas ficará menor do que é hoje.
"Mas a concentração no mercado de cervejas não era um objetivo em si, quando foi proposta a criação da AmBev", explicou Paulo Corrêa. "Eles sempre falaram que o negócio é bebidas em geral." Segundo o coordenador, a análise levou em consideração o projeto de criar uma multinacional brasileira para atuar no mercado global de bebidas. "Os principais ganhos econômicos com o negócio estão nas sinergias que se formarão nos outros produtos, como refrigerante, chás, isotônicos e outros", disse ele.


