São Paulo, 12 (AE) - A julgar pelos resultados da pesquisa "A Sociedade Conectada: Vencendo a Nova Batalha pelo Cliente", divulgados hoje cedo pela Ernst & Young, em cinco anos o serviço de comunicação por voz será dominado pela telefonia móvel. A telefonia fixa não será extinta, mas será a principal ferramenta para os sistemas de transmissão de dados. A pesquisa foi realizada com cerca de cem executivos-chefe dos principais grupos de telecomunicações de todo o mundo.
Segundo a pesquisa, o cliente típico da sociedade conectada é aquele que hoje possui acesso às novas formas de comunicação em mídia, além das já tradicionais (telefonia fixa e celular). De acordo com o estudo, a comunicação de dados vai superar a comunicação de voz em termos de volume de tráfego. Isso porque os serviços oferecidos pela comunicação de dados, como Internet, vídeoconferência, pay per view e transações bancárias devem aumentar vertiginosamente nos próximos anos.
Do ponto de vista empresarial, a tendência é a oferta de serviços de voz e dados ao mesmo tempo. Segundo Geraldo Marques, sócio da consultoria, a tendência é que, nos próximos anos, não existam mais empresas que atuam apenas no segmento de longa distância. Parcerias globais e novas tecnologias permitiram a essas companhias entrar no setor de transmissão de dados.
A pesquisa da Ernst & Young tem como universo os países da Europa e os Estados Unidos. Para o Brasil, a realidade é outra. Falta de infraestrutura, baixo poder aquisitivo da população e pouco fomento a novas empresas devem retardar a entrada do Brasil na sociedade conectada. No entanto, na avaliação de Rogério Igreja Brecha, o Sul e o Sudeste do Brasil devem fazer parte da sociedade conectada já nos próximos cinco anos.
Na avaliação de Marques, um possível atraso do Brasil no segmento de tecnologia da informação é menos resultado de falta de recursos do que de gerenciamento e estratégia do negócio. O Brasil vai se beneficiar com a entrada de grandes empresas de telecomunicações, mas é importante que as companhias nacionais comecem a planejar e redirecionar seus investimentos para o incremento do mercado.
A consultoria Ernst & Young, que tem 280 consultores para telecomunicações só na América Latina, inicia no começo do próximo ano uma pesquisa semelhante na região, com o objetivo de comparar os resultados e verificar as principais diferenças entre Norte e Sul, de modo ajudar as empresas a adequar suas estratégias às mudanças.
O grupo Ernst & Young fatura US$ 10 bilhões ao ano, dos quais 30% vêm do setor de telecomunicações. No Brasil, a consultoria presta serviços à Telefonica, Algar, Uol, Aol, Globo
Telemar e Embratel, entre outros.

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