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sexta-feira, 12 de novembro de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 12 (AE) - Fabricantes de eletroeletrônicos de grande porte, como geladeiras, fogões e máquinas de lavar, e de aparelhos de imagem e som estão conseguindo neste fim de ano repassar às lojas cerca da metade dos aumentos de preços pleiteados nos últimos três meses por conta de pressões de custos, especialmente pelo repique do dólar. Os reajustes efetivos da indústria para o comércio variam entre 1% e 2%.
A informação é do diretor comercial de produtos não alimentícios do Grupo Pão de Açúcar, Alexandre Bossolani. Ele conta que o aumento pleiteado pelas indústrias de linha branca (fogões, geladeiras etc) é de 4% e dos fabricantes de imagem e som varia entre 2% e 3%. Mas, na prática, eles estão conseguindo aumentar cerca da metade desse percentual. "Estamos acertando as necessidades da indústria." O diretor de produtos de consumo da Philips, Paulo Ferraz, confirma os aumentos de preços na faixa de 3% de seus produtos neste fim de ano e acrescenta que há dificuldade nos repasses para o comércio. "Estamos atrasados em relação à desvalorização cambial", diz Ferraz.
A linha de vídeo, por exemplo, leva 80% de componentes importados e a mudança no câmbio pressionou muito os custos. Segundo ele, apesar dos reajustes recentes, a companhia não conseguiu repassar a metade do aumento de custo provocado pela desvalorização do real. "Em uma linha ou outra estamos recuperando preços", admite Ricardo Etchenique, diretor da Multibrás, dona das marcas Brastemp e Consul.
Ele explica que o próprio varejo tem sido cauteloso no ajuste de preços para não atrapalhar a retomada do mercado neste fim de ano. A Lojas Cem, por exemplo, conta que a indústria quer aumentos de preços de 5% a 8% nas linhas branca e marrom. Segundo o supervisor-geral da companhia, Valdemir Colleone, a sua empresa não aceitou esse pleito. "Não é momento de falar de aumento de preços."
Custos - Etchenique explica que, desde a desvalorização da moeda, em janeiro, a indústria não repassou quase nada para o consumidor, procurando aumentar volumes para compensar as pressões nos custos.
Bossolani, do grupo Pão de Açúcar, diz que as indústrias apontam aumentos de 10% a 12% nas embalagens e alegam alta de insumos básicos, com a cotação do dólar perto de R$ 2.
"Não temos custos para uma taxa de dólar de R$ 2", diz Ferraz, da Philips. Com margens mais apertadas, a saída da companhia tem sido aumentar os ganhos de eficiência industrial e comercial. A companhia, por exemplo, voltou a exportar produtos de áudio e vídeo para a América do Sul, abastecendo toda a costa do Pacífico, que era suprida até o ano passado pela Philips do México. Atualmente 30% da produção da Philips está sendo vendida no exterior.
As mercadorias estão sendo fabricadas em Manaus (AM) que
até o ano passado, tinha sua produção voltada só para o mercado interno. A empresa também retomou em Manaus (AM) a produção de áudio e vídeo de aparelhos portáteis, que anteriormente era importada.


