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sexta-feira, 12 de novembro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 12 (AE) - O coordenador do IPC-Fipe, Heron do Carmo, disse que o reajuste, no próximo ano, das tarifas dos serviços de energia elétrica pelo Índice Geral de Preços (IGP-DI), da Fundação Getúlio Vargas, não coloca em risco o cumprimento da meta inflacionária de 6%, fixada para 2000.
"O reajuste previsto no contrato de concessão tem de ser respeitado", afirmou Heron, explicando que, se o governo tentar limitar o reajuste, será pior, porque o resíduo vai pressionar a meta inflacionária de 2001, que é menor (4%). "Ajoelhou, rezou", emendou o economista sobre o respeito que deve ser dado ao contrato com as empresas do setor.
De janeiro até outubro, o reajuste dos preços de energia elétrica no município de São Paulo foi de 21,24%, sendo o segundo maior dos itens de maior peso na composição do IPC. A gasolina, com 48,83%, foi a maior alta, contra um índice no período de 6,53%. As tarifas públicas e a gasolina pressionaram o IPC no segundo e terceiro trimestres de 99.
Sobre a possibilidade de concentrar os aumentos das tarifas de energia em apenas um mês do ano, como admitiu ontem a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Heron do Carmo disse que a proposta é positiva à medida que aumenta a previsibilidade do índice. "Quanto mais previsibilidade tiver, melhor", afirmou o economista, atribuindo a "atos imprevisíveis" do governo neste ano, como o reajuste dos combustíveis, a pressão inesperada nos índices de inflação.
De acordo com Heron, hoje não há uniformidade nos reajustes das tarifas de energia que ficam "perturbando" o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE. "Isso não é bom psicologicamente", disse, explicando que anúncios sucessivos de reajustes deixam uma impressão de inflação em alta na sociedade.


