Rio Branco, 11 (AE) - O ex-deputado Hildebrando Pascoal, acusado de chefiar um grupo de extermínio e uma quadrilha de traficantes no Acre, sofreu mais uma derrota no Poder Judiciário. A Justiça Eleitoral acatou denúncia do Ministério Público sobre mais um crime e decretou a prisão preventiva de Hildebrando e mais oito envolvidos. O ex-deputado já responde a outros quatro processos na Justiça Federal - dois por assassinato, um por sonegação fiscal e um por tráfico de entorpecentes - e poderá ser processado também pela Justiça Estadual.
O juiz da Vara do Tribunal do Júri Marco Antonio Nunes deve anunciar amanhã (12) se acata outro pedido de prisão preventiva e instaura processo por crime de homicídio qualificado contra Hildebrando, que foi acusado ao lado de mais seis pessoas de ser o mandante do assassinato do mecânico Agílson Santos Firmino, de 25 anos, o Baiano, em julho de 1996.
Caso marmitex - Na Justiça Eleitoral, o ex-deputado é acusado de usar entorpecente para obter votos. De acordo com a denúncia, Hildebrando teria dado pasta de cocaína em troca de votos na última eleição. Essa pasta é conhecida como "melado" no Acre. Os dependentes misturam a substância derivada da coca no fumo do cigarro ou da maconha e a aspiram com a fumaça.
Depois da negociação com os eleitores dependentes, a droga embrulhada é entregue em marmitas de alumínio. Por causa da técnica de entrega, a população do Acre apelidou o fato de "caso marmitex".
Busca - As investigações iniciais revelaram que foram comprados cerca de R$ 20 mil em droga. A compra teria ocorrido na cidade de Guajará-Mirim, em Rondônia.
Na ocasião, policiais militares teriam feito uma busca na casa de Hildebrando. Em resposta, o ex-deputado teria chegado a ameaçar os policiais com uma arma. A decisão foi proferida pela juíza da 1.ª Zona Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Acre, Regina Célia Ferrari Longuini.
"Ao que parece, a prática tradição eleitoral brasileira está longe de adotar um respeito e balizamento ético e democrático na sua aplicação e concepção", escreveu Regina Célia escreveu. "A fraude política tem consequências graves, tanto na troca de votos por dinheiro como no maléfico e inédito uso de entorpecentes."
Além de Hildebrando, foi decretada a prisão preventiva de mais oito envolvidos. Responderão ao processo os traficantes Francisco Ferreira da Conceição, o Ferreirinha; José Ribamar Feitosa, o Jair da Cohab; Ednaldo Barroso de Albuquerque; Belini Barroso; Sabará; Bahia; Mario Jorge Ferreira de Araújo; e o sargento da PM Alex Fernandes Barros.
Barros é acusado de ser o responsável pelo planejamento dos assassinatos do ex-policial civil José Ayala e do bombeiro Sebastião Crispim da Silva, mortos respectivamente nos dias 12 e 13 de setembro de 1997. Ayala e Crispim iam depor na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Ministério da Justiça.
Pascoal prestou hoje o último depoimento da primeira fase dos processos que tramitam na justiça federal. Ele foi interrogado sobre a acusação de crimes fiscal. Em 1994, Pascoal teria movimentado R$ 64.100,00 numa conta corrente aberta em nome de Sebastião Mendes Ribeiro, o Querosene. Orientado pelo advogado Oscar Luchesi, o réu recorreu ao direito de permanecer calado.
A transferência de Pascoal para Brasília, onde permanecerá preso, deve ser feita amanhã (12) de manhã. Ele será escoltado por cerca de 20 homens do Comando de Operações Táticas (COT) da Polícia Federal. O juiz federal Pedro Francisco da Silva, que interrogou Pascoal nos três últimos dias, permitiu que o ex-deputado fosse visitado por parentes.

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