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quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por Fausto Macedo e Clayton Levy 
São Paulo, 11 (AE) - A CPI do Narcotráfico apontou hoje o nome do vereador de Campinas Roberto Mingone (PFL) como um dos supostos envolvidos com o empresário Willian Valder Sozza, suspeito de ser o cérebro do crime organizado com ramificações em 14 Estados. Mingone - primeiro político paulista citado nas investigações da comissão - está exercendo seu segundo mandato. É o líder do prefeito Chico Amaral (PPB) na Câmara. O empresário do ramo imobiliário Paulo Roberto da Cunha Deneno, o Piau - tido como caixa de campanha de Mingone - também estaria ligado a Sozza.
"Ligar-me a isso, como insinuam as notícias, é de uma maldade ignóbil que tem objetivo de me afastar da disputa à sucessão na prefeitura de Campinas", reagiu Mingone, que no ano passado candidatou-se a deputado federal mas não se elegeu, embora tenha recebido quase 80 mil votos. A revelação sobre o vereador foi feita pelo deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), que chegou hoje a São Paulo. "Ele é citado em depoimentos", disse o parlamentar. Mingone foi convocado para depor na CPI que se instala em Campinas terça-feira (16).
Mingone enviou carta no dia 8 ao deputado federal Robson Tuma (PFL-SP), integrante da CPI, afirmando estar à disposição para prestar os esclarecimentos necessários. No texto, ele diz estar atravessando um momento de "aflição, ansiedade e preocupação" com o episódio. "Isso está causando irreparável dor a mim e à minha família, além de enorme prejuízo político".
Mingone terá de explicar à comissão sua ligação com Deneno. Segundo o assaltante e motorista Jorge Méres, considerado a principal testemunha do caso, Deneno teria feito negócios com Sozza. O vereador admite ter recebido ajuda financeira de Deneno para sua campanha a deputado, mas nega ligação com o esquema de Sozza.
Amanhã (12), o deputado Mattos vai a Campinas para encontrar-se com juízes e promotores empenhados em processos sobre apurações sobre contrabando, tráfico de entorpecentes, roubo de carretas e assassinatos. Mattos - subrelator da CPI para a região de Campinas, que seria o centro logístico e financeiro da organização - vai fazer uma seleção das pessoas que devem ser convocadas para depor perante a comissão a partir de terça-feira. Pelo menos 16 empresários, policiais, assaltantes e comerciantes serão ouvidos.
A CPI está examinando dois processos sobre lavagem de dólares que correm na 1ª Vara Criminal da Justiça Federal em Campinas. Os comerciantes Ed Wanger Generoso e José Ricardo Xavier, além do gerente de banco Odair Zampieri, foram denunciados em 1994 pelo procurador-geral da República, José Osmar Pumes, por abertura de contas fantasmas. Há suspeitas de que o esquema teria ligações com o empresário Paulo César Farias
o PC. A conta fantasma aberta com o nome fictício de Vitor Roberto Batista movimentava valores elevados. Do processo, constam depósitos feitos em favor de pelo menos dez empresas na cidade.
A participação de PC no esquema, apesar das suspeitas, não foi evidenciada. "Não há nenhuma prova concreta a esse respeito", disse o procurador Pumes. Mesmo assim, a CPI pretende aprofundar a apuração para descobrir se um suposto esquema montado pelo ex-tesoureiro de Collor estaria sendo retomado pelo empresário Willian Sozza.


