Brasília, 11 (AE) - Afastado do cenário político nacional após amargar derrota na disputa pelo governo de São Paulo e ser associado à sequência de escândalos envolvendo seu afilhado, o prefeito Celso Pitta, o ex-governador Paulo Maluf conseguiu hoje sua recondução à presidência nacional do PPB e permanece no cargo até abril de 2001. A decisão foi tomada em convenção nacional do partido, que já começa a discutir sua estratégia para a sucessão municipal do ano que vem.
Maluf conseguiu recuperar a liderança formal do partido, embora tenha enfrentado oposição interna. A bancada do Rio Grande do Sul chegou a divulgar nota repudiando a recondução, com o intuito de disputar a presidência, mas os gaúchos não obtiveram o apoio dos demais Estados.
"Trabalhávamos pela renovação", alegou o deputado Fetter Júnior (PPB-RS). A bancada foi beneficiada com aumento de representatividade. "As divergências passaram", garantiu Maluf.
O PFL também reuniu sua executiva nacional hoje para discutir a estratégia do partido para as eleições do ano que vem e, até mesmo, a sucessão presidencial 2002. O presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), reiterou durante o encontro que o PFL terá candidatura própria nas eleições de 2002, mas os principais dirigentes da legenda afirmaram ser prematura a definição de nomes.
"Estamos padecendo da síndrome da sofreguidão, provocada por um candidato amparado por um partido menor", disse o senador Agripino Maia, referindo-se ao ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes, virtual candidato do PPS a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ausências - A convenção do PPB não contou com os principais caciques, como o governador de Santa Catarina, Esperidião Amin. O único ministro na mesa era o do Trabalho, Francisco Dornelles. Mas Maluf adiantou o que deverá ser o tom de seu discurso com vistas à campanha municipal do próxino ano. "Cometem crimes de forma impune em São Paulo", disse, criticando o que considera um avanço da violência no Estado administrado pelo adversário Mario Covas. Nas reuniões regionais que o PPB promoverá, serão discutidos a ação do narcotráfico e o crime organizado.
"Quando a gente vê que juízes, comandantes e ex-comandantes da PM e parlamentares estão envolvidos, é um atentado ao Estado de Direito", afirmou Maluf. "Quando a própria autoridade é agressora da lei, alguma coisa tem que se fazer para reagir ou um dia podermos tornar este País em uma Colômbia em guerra civil", emendou o presidente do PPB, que credita o problema "à covardia das autoridades".
Ele defendeu, inclusive a discussão da redução da idade para responsabilidade penal. "Um menor de 17 anos diz que deve ir para Febem, mas ele é bandido e deve ir para cadeia", defendeu. Paulo Maluf também criticou os efeitos, segundo ele, negativos da globalização. Considera que o Brasil abriu suas fronteiras, mas encontra barreiras comerciais que impedem a comercialização do aço e do suco de laranja para os Estados Unidos, por exemplo.
O presidente do PPB reafirmou sua disposição de candidatar-se ao governo de São Paulo em 2002. Seu plano a curto prazo é o de aumentar de 660 para mil o número de prefeituras do PPB. Em São Paulo, elogiou quatro possíveis nomes para a disputa
entre eles o da apresentadora Hebe Camargo e Delfim Neto. O PPB também adiou a discussão da tese de fusão com o PFL. Maluf elogiou os pefelistas e incentivou coligações para 2000, mas frisou que a fusão só poderia vir a ser analisada depois das eleições.Por Sônia Cristina Silva e César Felício Atenção Editor: Inclui parte das informações da retranca NARCOTRAFICO/PFL

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