Brasília, 11 (AE) - O empresário Willian Sozza seria ligado a um bicheiro de Mato Grosso, morto a mando do bicheiro paulista
Ivo Noal, conforme contou à CPI do Narcotráfico Gilmar Leite, preso em São Paulo por furto de carga. Segundo o relator da Comissão Parlamentar que Inquérito (CPI), Moroni Torgan (PFL-CE)
o depoimento mostra que o raio de atuação do esquema de lavagem de dinheiro montado em Campinas era mais abrangente que a CPI imaginava. Torgan decidiu aumentar para 50 o número de pessoas a serem ouvidas durante a audiência de três dias que será realizada na cidade, a partir de terça-feira, e admite que poderá haver algumas prisões.
As novas informações da CPI e a decisão de ouvir mais pessoas foi tomada hoje por Torgan, depois de uma reunião com os promotores Sérgio Simas e Ricardo Silvares, que atuam nos casos envolvendo o empresário Willian Sozza com o crime organizado. Os promotores encontraram mais dois casos de roubo de cargas ligados a Sozza. As informações seriam de Gilmar Leite, que está preso em São Paulo, e de onde falou sobre o envolvimento de Sozza com policiais e o bicheiro de Mato Grosso.
Segundo Torgan, nos últimos dias a CPI recebeu diversas ligações anônimas confirmando a ligação do esquema de Campinas com o empresário Paulo César Farias, ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello. "Algumas das ligações ligam empresários da cidade como elo de ligação entre PC Farias e Sozza", afirmou Torgan, garantindo que algumas diligências já realizadas pela CPI confirmam as denúncias anônimas.
O relator da CPI acha pouco provável que em Campinas encontre elementos que liguem o esquema de crime organizado com a privatização de empresas estatais de São Paulo. As informações sobre isso foram passadas à comissão por informantes do deputado Robson Tuma (PFL-SP), que não revela quem são. "Mas ainda acho que estes dados sobre privatização ainda são muito vagos", afirmou Torgan.
Rumos - A CPI vai vai estender as investigações para mais seis Estados brasileiros, a partir da próxima semana. Além disso
vai voltar ao Acre, Maranhão, Piauí e Rio de Janeiro, além de Campinas, considerado a principal cidade de todo esquema do crime organizado para a lavagem de dinheiro. "Campinas é o cérebro de todo o esquema", afirma o deputado Magno Malta, presidente da CPI.
As investigações da CPI vão ser realizadas, nas próximas semanas, em Pernambuco, onde existem as suspeitas de ligação de políticos e empresários com os plantadores de maconha na região do Vale do São Francisco. "Fizemos, em 1997, uma comissão externa para apurar este indício, mas não tínhamos tanto poderes como agora tem a CPI", diz o deputado Fernando Ferro (PT-PE), que cuida da região Nordeste dentro da CPI.
Hoje a CPI realizou uma reunião administrativa onde iria traçar os próximos passos e definir a pauta sobre a audiência de três dias em Campinas, mas diversos deputados já tinham a certeza de que o próximo rumo seria o Espírito Santo, onde há denúncias de envolvimento de policiais com o crime organizado. "Vamos ouvir o delegado Francisco Badenes Junior que fez diversas denúncias sobre este fato", adiantou Malta.
Em Mato Grosso do Sul, Brasília e Goiás, a CPI deve verificar a existência de um esquema envolvendo o poder Judiciário com a soltura de traficantes. "Temos denúncias de que juízes de Brasília e Goiás, por exemplo, estariam acertando a transferência de presos de outros Estados para serem libertados, pouco depois, no Centro-Oeste", explicou o deputado Ricardo Noronha (PMDB/DF).

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