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quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por Eliane Azevedo 
Rio, 11 (AE) - O presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), desembargador do Tribunal de Justiça do Rio Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, defendeu uma apuração rigorosa sobre o suposto envolvimento da juíza aposentada Valdeci Lopes Pinheiro, ex-titular da comarca de Miracema, no noroeste do Estado, com o crime organizado na região. Ontem (10), a juíza teve seus sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados a pedido da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico. "Não podemos fazer pré-julgamentos, mas nossa posição é a de que tudo deve ser abertamente apurado", afirmou Carvalho.
Valdeci está sendo investigada desde julho pela Polícia Federal, que suspeita de ligações da juíza com a quadrilha de traficantes comandada pelos irmãos Arnaldo e Antônio Jorge Gonçalves dos Santos. O àrgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro está examinando dois procedimentos contra ela: um
de caráter administrativo, encaminhado pelo Conselho da Magistratura; outro é uma denúncia criminal feita pelo Ministério Público Estadual.
Valdeci chegou a ser acusada pela deputada estadual Cidinha Campos (PDT-RJ), relatora da CPI da Previdência realizada pela Assembléia Legislativa há cinco anos, por envolvimento com fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Foi encontrado um depósito em sua conta bancária equivalente a US$ 133 mil, feito por Wilson Ferreira, um dos integrantes da quadrilha de fraudadores. Na época, Valdeci não era juíza, mas escrevente de uma vara cível.
Segundo Carvalho, o episódio não impediu que ela fosse aprovada no concurso para juíza porque nada ficou comprovado. "Ela disse que a conta era conjunta com seu então marido, sócio de uma corretora de valores", contou ele. "O dinheiro teria sido uma aplicação do Wilson Ferreira, cliente do marido dela."
O presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj), Fernando Cabral, disse ter ficado surpreso com as denúncias sobre a juíza. "O caso da Previdência chegou a ser analisado pelo Tribunal de Justiça e nada ficou provado contra ela", afirmou. "Era considerada no meio uma juíza séria, com bom relacionamento na comunidade de sua comarca". O fato de a juíza estar aposentada, explicou Carvalho
não é empecilho para uma eventual punição. Se ela perder o cargo, não terá mais o direito aos proventos de sua aposentadoria.


