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quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 11 (AE) - O vereador Roberto Mingone (PFL) negou hoje, por meio de sua assessoria, qualquer envolvimento com o empresário Willian Walder Sozza, foragido há cerca de um mês e considerado pela CPI do Narcotráfico como um dos chefes do crime organizado no País. "Ligar-me ao narcotráfico, como insinuam as notícias, é de uma maldade ignóbil, que tem o único objetivo de me afastar da disputa pela prefeitura de Campinas", diz o vereador, candidato declarado à sucessão do atuala prefeito, Chico Amaral (PPB). Em carta enviada no dia 8 ao deputado federal Robson Tuma (PFL-SP), integrante da CPI, Mingone afirma estar à disposição dos parlamentares para prestar os esclarecimentos necessários. No texto, ele diz estar atravessando um momento de "aflição, ansiedade e preocupação" com o episódio. "Tudo isso está causando irreparável dor a mim e a minha família, além de enorme prejuízo político", diz.
Mingone terá de explicar à CPI sua ligação com o empresário do ramo imobiliário em Campinas Paulo Roberto Cunha Deneno. Segundo o motorista Jorge Méres, considerado a principal testemunha do caso, Deneno, conhecido na cidade como Piau, teria nagociado com Sozza. Mingone admite ter recebido ajuda financeira de Deneno para sua campanha a deputado federal em 1998, mas nega envolvimento com o suposto esquema coordenado por Sozza.
"Desconheço, por completo, se Deneno teve relações comerciais com Sozza", diz o vereador na carta enviada a Tuma. "Se um dia Deneno negociou algum imóvel com alguém que tinha ligações com o crime, isso não implica que estivesse compactuando com os criminosos", acrescenta. Mingone justifica sua ligação com Deneno em razão de "uma amizade de mais de 15 anos".
Líder do governo na Câmara, Mingone teve as contas de sua campanha para deputado federal rejeitadas pela Justiça Eleitoral. No mesmo processo, arquivado no Tribunal Regional Eleitoral, o nome de Deneno consta na lista de doadores de campanha de 1998. O empresário doou R$ 10 mil em dinheiro para ajudar a campanha política de Mingone.


