PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por César Felício 
Brasília, 11 (AE) - O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), anunciou hoje, durante encontro da executiva nacional do partido com os diretórios regionais, que a legenda poderá afastar filiados que estejam sendo acusados de crimes comuns. "O partido vai rever, com rigor, todos os casos de filiados com acusação de postura não ilibada", disse o senador. Segundo ele, a atenção maior será dada "para os Estados em que o processo político tem trazido à tona pessoas que não se recomendam".
O envolvimento de filiados do PFL com irregularidades está causando constrangimento dentro do partido, e a proposta de expurgo, feita pelo vice-governador do Maranhão, José Reinaldo Tavares, foi acatada por aclamação. "Estamos sendo chamados de partido fora da lei e temos que dar uma resposta clara", disse o senador Mozarildo Cavalcante (RR). "É necessário começarmos uma triagem para extirpar o mal pela raiz, no momento de definirmos as candidaturas para as eleições do próximo ano", afirmou o vice-presidente do PFL, senador José Agripino Maia (RN).
Somente este ano dois deputados federais que eram filiados ao PFL foram cassados: Hildebrando Pascoal (AC) e Talvane Albuquerque (AL). Em 1997, outros dois deputados, do Acre, renunciaram ao mandato para não serem cassados pelo plenário da Casa: Ronivon Santiago e João Maia. Atualmente, o deputado federal José Alex (PFL-AC) está sendo investigado pela CPI do Narcotráfico na Câmara.
Segundo Bornhausen, o processo para a expulsão de José Alex já está instalado dentro do partido. "Vamos ser rigorosos, mas seguindo os estatutos partidários, para que os atos de expulsão não sejam revistos pela Justiça Eleitoral", disse o senador. Bornhausen disse, contudo, que o partido não irá modificar a sua política de realizar filiações em massa. Este ano, o PFL chegou a aceitar filiações feitas pela Internet. "Nós sempre partimos do princípio de que as pessoas são honestas e as filiações vão continuar", disse.
Bornhausen reiterou durante o encontro que o partido terá candidatura própria nas eleições de 2002, mas os principais dirigentes da legenda afirmaram ser prematura a definição de nomes. "Estamos padecendo da síndrome da sofreguidão, provocada por um candidato amparado por um partido menor", disse Agripino Maia, referindo-se ao ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes, do PPS.
"O PPS será tão mais forte e maior quanto menor o prestígio do presidente e vice-versa, portanto a ânsia em definir nomes não é o nosso caminho", disse. Atualmente, quatro possibilidades estão colocadas dentro do PFL: o presidente do Senado Antônio Carlos Magalhães (BA), o governador do Paraná Jaime Lerner , a governadora do Maranhão Roseana Sarney e o vice-presidente Marco Maciel.
Durante o encontro, os dirigentes regionais aproveitaram para protestar a Bornhausen contra o comportamento dos ministros Rafael Greca (Turismo e Esportes) e José Sarney Filho ( Meio Ambiente), ambos deputados pefelistas licenciados, por não procurarem promover representantes locais do PFL em viagens a serviço pelo País.
"É constrangedor que um ministro do Meio Ambiente filiado ao partido vá a Roraima e sequer avise ao presidente da seção local", queixou-se o senador Mozarildo Cavalcante. O presidente do PFL disse que de agora em diante os ministros terão que se encontrar com pefelistas quando viajarem.


