PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por Andreia Maia e Eliane Azevedo 
Rio, 11 (AE) - A Polícia Federal deverá entregar amanhã (12) à Assembléia Legistativa Fluminense (Alerj) resultado de uma investigação, pedida pelo presidente da Casa, Sérgio Cabral Filho (PMDB), sobre o possível envolvimento de outros parlamentares com o crime organizado, além dos já citados Núbia Cozzolino (PTB) e Jorge Teodoro dos Santos, o Dica (PFL). Eles tiveram o sigilo bancário, fiscal e telefônico quebrados pela CPI do Narcotráfico porque teriam implicações com organizações criminosa.
Apesar da quebra do sigilo, os dois deputados voltaram a negar hoje ter ligações com o crime organizado. "Estão tentado me prejudicar com essas denúncias", reagiu Dica. "A CPI vai provar a minha inocência", destacou Núbia. O ex-assessor da deputada Renato Antello de Medeiros, o Renato Mosca, foi preso em flagrante ano passado no Morro da Mangueira, na companhia do cabo da PM Marco Antônio Sonsine - num Gol com o logotivo "SOS Núbia". A marca é do serviço de assistência que a parlamentar mantém em seu reduto eleitoral, em Magé, no Grande Rio. No veículo havia grande quantidade de cocaína e duas armas carregadas.
Há ainda uma fita cassete, já em poder dos membros da CPI, na qual a deputada é citada no diálogo entre o traficante Rogério Marcos Souza, o Dinho, e o ex-motorista da parlamentar, Geraldo Cabral, o Coroa, demitido por Núbia em 1994. Em relação a Dica, seu nome apareceu no depoimento, prestado ao Ministério Público, por uma testemunha, cujo nome é mantido em sigilo, que o envolve com o narcotráfico.
JUIZA - O presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, defendeu uma apuração rigorosa sobre o suposto envolvimento da juíza aposentada Valdeci Lopes Pinheiro, ex-titular da comarca de Miracema, no noroeste do Estado, com o crime organizado na região. A juíza também teve seu sigilo bancário, fiscal e telefônico quebrado a pedido da CPI do Narcotráfico.
"Não podemos fazer pré-julgamentos, mas nossa posição é a de que tudo deve ser abertamente apurado", afirmou Carvalho. Valdeci está sendo investigada desde julho pela Polícia Federal, que suspeita de ligações da juíza com a quadrilha de traficantes comandada pelos irmãos Arnaldo e Antônio Jorge Gonçalves dos Santos.


