Brasília, 11 (AE) - O governo conseguiu reverter a manobra dos partidos de oposição e aprovou hoje, por 27 votos a 18, a emenda que estabelece a contribuição previdenciária dos servidores inativos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. A emenda chegou a ser considerada inconstitucional, em votação simbólica, mas teve sua admissibilidade acatada em votação nominal controlada pela bancada governista. Na próxima semana será formada a comissão especial que discutirá o assunto.
Pelo regimento interno da Câmara, a comissão especial terá 40 sessões para discutir a proposta. Lideranças governistas acreditam que o relator, cujo nome ainda não foi escolhido, apresente o seu parecer na décima-primeira sessão da comissão, cumprindo a exigência regimental para a apresentação de emendas, o que torna viável sua aprovação antes do término das 40 sessões. A expectativa do governo é votar a emenda dos inativos no plenário, em primeiro turno, ainda este ano, e concluir o segundo turno durante a provável convocação extraordinária do Congresso em janeiro.
Hoje, após o resultado final na CCJ, o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), afirmou que mantinha a votação sob controle e que não houve nenhum risco de derrota para o governo. Ele assegurou que já tinha acertado previamente com os presidentes de outras comissões a liberação dos deputados governistas no momento em que fosse iniciada a votação nominal na comissão. "Não perdemos, porque a votação só termina no fim, após o último votar", argumentava, frisando que a derrota na votação simbólica "não estava fora do que tinha imaginado ontem".
Na verdade, a manobra dos partidos de oposição obrigou o líder governista e o próprio relator da proposta na CCJ, deputado Inaldo Leitão (PSDB-PB), a saírem pelos corredores da Câmara em busca de 26 parlamentares da base de sustentação, que foram retirados das outras comissões que estavam reunidas. "O governo não fez a mobilização correta para votar e aprovar logo", comentou o presidente da comissão, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA). Segundo ele, o governo correu risco de ter a emenda rejeitada por falta de mobilização.

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