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quinta-feira, 11 de novembro de 1999
Por Sônia Cristina Silva 
Brasília, 11 (AE) - O diretório nacional do PPB expulsou hoje do partido o deputado estadual José Gerardo de Abreu (MA), acusado de envolvimento no esquema de roubo de carretas e tráfico de drogas. O partido seguiu o comportamento adotado pelo PFL, que afastou o ex-deputado Hildebrando Pascoal (AC), apontado como um dos líderes da quadrilha.
A expulsão de José Gerardo foi aprovada na convenção nacional do PPB, que reconduziu ao ex-governador paulista Paulo Salim Maluf à presidência do PPB até abril de 2001, embora tendo enfrentado a oposição de parte do partido.
A bancada do Rio Grande do Sul chegou a fazer uma nota repudiando a recondução de Maluf com o intuito de disputar a presidência, mas os gaúchos não obtiveram o apoio dos demais estados. "Trabalhávamos pela renovação", alegou o deputado Fetter Júnior (PPB-RS). A bancada foi beneficiada com aumento de representatividade. "As divergências passaram", disse Maluf.
Hildebrando Pascoal foi cassado por quebra de decoro parlamentar pela Câmara e caminho idêntico poderá seguir o deputado estadual José Gerardo. "A cassação dele deverá ser votada na próxima semana na Assembléia Legislativa", informou hoje o deputado Eliseu Moura (MA), autor da moção recomendando a expulsão do colega. Segundo ele, Gerardo poderá entrar com recurso contra a decisão.
ATAQUE - A convenção do PPB não contou com os principais caciques, como o governador de Santa Catarina (SC), Esperidião Amin. O único ministro na mesa era o do Trabalho, Francisco Dornelles. Mas Maluf adiantou o que deverá ser o tom de seu discurso com vistas à campanha municipal do próximo ano. "Cometem crimes de forma impune em São Paulo", disse Maluf, criticando o que considera um avanço da violência no estado de São Paulo, governado hoje pelo adversário Mário Covas (PSDB).
Nas reuniões regionais que o PPB promoverá serão discutidos a ação do narcotráfico e o crime organizado. "Quando a gente vê que juízes, comandantes e ex-comandantes da PM e parlamentares estão envolvidos, é um atentado ao Estado de Direito", afirmou Maluf. "Quando a própria autoridade é agressora da lei, alguma coisa tem de se fazer para reagir ou um dia poderemos tornar este País em uma Colômbia em guerra civil"
emendou o presidente do PPB, que credita o problema "à covardia das autoridades".
Maluf defendeu, inclusive, a discussão da redução da idade para a responsabilidade penal. "Um menor de 17 anos diz que deve ir para Febem, mas ele é bandido e deve ir para a cadeia", defendeu. Ele também criticou os efeitos, segundo ele
negativos da globalização. Considera que o Brasil abriu suas fronteiras, mas encontra barreiras comerciais que impedem a comercialização do aço e a do suco de laranja para os Estados Unidos, por exemplo.
O presidente do PPB reafirmou sua disposição de candidatar-se ao governo de São Paulo em 2002. Seu plano a curto prazo é o de aumentar de 660 para 1000 o número de prefeituras do partido. Em São Paulo (SP), elogiou dois possíveis nomes para a disputa, o da apresentadora Hebe Camargo e do deputado federal Delfim Netto.
O PPB também adiou a discussão da tese de fusão com o PFL. Maluf elogiou os pefelistas e incentivou coligações para 2000, mas frisou que a fusão só poderia vir a ser analisada depois das eleições.


