Campinas, SP, 11 (AE) - Os parlamentares que investigam o crime organizado no País definiram os nomes de 16 pessoas de Campinas (SP) que serão ouvidas em depoimentos nos dias 16 e 17, quando a CPI do Narcotráfico será transferida para a cidade. Segundo o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), relator da CPI referente a Campinas, o número de convocados ainda pode aumentar. Entre aqueles que tiveram seus nomes confirmados, três terão quebrados seus sigilos bancário e telefônico.
A lista de pessoas que a CPI pretende ouvir inclui o nome do legista Fortunato Badan Palhares; o ex-diretor do Instituto Médico Legal (IML) em Campinas, Antonio Francisco Bastos; os delegados de Polícia Civil Ricardo de Lima, José Roberto Rocha e João Antonio Pinto; os ladrões de cargas Gilmar Siqueira Leite, preso em Araraquara, e Heraldo Theodoro, que cumpre pena em São Paulo; o vereador Roberto Mingone (PPB); o advogado de Sozza, Arthur Eugênio Mathias; e os empresários Paulo Roberto Cunha Denemo; Luiz Roberto Zini; e Geraldo da Silva Burdini.
O ex-presidente do Guarani Futebol Clube Luiz Roberto Zini está entre as pessoas que terão o sigilo bancário, telefônico e fiscal quebrado pela CPI. De acordo com os parlamentares, a empresa Cosntrubel de propriedade de Zini funciona no mesmo endereço do PRTB, em Campinas. Até 1996, o partido teve como presidente na cidade o empresário William Walder Sozza, que está foragido e é apontado como um dos integrantes da quadrilha comandada pelo ex-deputado Hildebrando Paschoal.
O ex-presidente do Guarani reagiu com naturalidade à notícia de que teria quebrado seu sigilo bancário, fiscal e telefônico. "Ele (Zini) está tranquilo, pois já havia proposto essa medida aos parlamentares para provar sua inocência", disse hoje o advogado do ex-cartola, Ralf Tortima Stettinger Filho. Segundo Stettinger Filho, seu cliente não conhece Sozza e o fato de a empresa de Zini funcionar no mesmo endereço do PRTB não passa de um mal entendido.
A CPI também aprovou a quebra de sigilo do empresário Roberto Hadock Lobo e de sua irmã, Samia Hadock Lobo, moradores em Vinhedo (SP). Samia, segundo o deputado Mattos, seria mulher do traficante Antonio Graça Motta, conhecido como Curica, preso na Casa de Detenção de São Paulo. A CPI suspeita do envolvimento dos dois com a suposta quadrilha comandada por Sozza. Policiais civis, cujos nomes não foram revelados, também tiveram o sigilo quebrado.
Os trabalhos, na próxima semana, serão realizados na sala do júri, no fórum local. Para a escolha do local, segundo Mattos, foram consideradas a logística e as condições de segurança. Pelo menos 11 dos 18 deputados que integram a CPI deverão estar na cidade nos dias 16 e 17. Esse é o número mínimo para votar deliberações.

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