São Paulo, 11 (AE) - O juiz da 258ª Zona Eleitoral, Oswaldo Cecara, rejeitou hoje o pedido de impugnação de transferência de domicílio eleitoral para São Paulo do ex-presidente Fernando Collor de Mello (PRTB) feito pelo PT. De acordo com o juiz, faltou coerência ao impugnante, o PT. Cecara considerou inválidas as provas apresentadas pelo partido. O advogado do partido, Hélio Freitas Carvalho da Silveira, informou que vai recorrer da sentença.
Segundo a sentença, "as notícias jornalísticas nas quais se embasa a impugnação dizem respeito a declarações de vigia de rua - não identificado - e de um empregado do empresário Georges Gazale (casa onde Collor estava hospedado) - também não identificado".
O juiz ainda comenta na sentença que, embora tenha sido requerida na mesma data a transferência do domicílio eleitoral da mulher de Collor, Rosane, não houve impugnação desse pedido por parte do PT. "Então, acaso fosse procedente a impugnação, não seria admitida a transferência do domicílio eleitoral de Collor, mas seria admitida a transferência de sua mulher."
E completa: "Não impugnada a transferência do domicílio eleitoral de Rosane, vai que ela saia candidata..." De acordo com o advogado do PT, o partido não pediu a impugnação de Rosane pois ela não foi aos jornais dizer que era candidata. Para ele, há um desvirtuamento da transferência do domicílio eleitoral do Collor porque ele se mudou para São Paulo apenas para ser candidato.
"Quando a Constituição estabelece como preceito que o candidato precisa morar na circunscrição para ser candidato, é porque a Lei quer garantir que o eleitor vá votar no candidato de sua comunidade."
Em entrevista coletiva concedida hoje, na sede do PRTB, Collor declarou que a decisão da Justiça apenas reforça a certeza de sua candidatura a prefeito da Capital. "Agora é esperar o lançamento da minha candidatura e conquistar a Prefeitura." O ex-presidente já está em "pré-campanha" e visitou, durante o dia, os bairros da Mooca e do Brás.
Mas essa foi a primeira batalha. O Ministério Público se manifestou e disse que vai pedir impugnação da candidatura do ex-presidente. "O registro de candidatura, que pode ser feito até 5 de julho próximo, não preenche os requisitos legais", informou o promotor Antônio Carlos da Ponte.
"Eu não tenho nenhuma dúvida que, tantas quantas impugnações surgirem, tantas quantas vitórias eu irei obter, porque assim será decidido com base na Justiça", disse Collor.
Ele não nega que pretende voltar a ser presidente da República
mas não admite que isso possa ser em 2002 caso não consiga o registro de sua candidatura para as eleições do próximo ano. "Não tenho pressa pois o tempo conta a meu favor. Posso ser candidato em 2006, em 2010, mas o meu projeto agora é ser prefeito de São Paulo."

mockup