Grozny, 11 (AE-AP) - Forças russas atacaram a capital da conturbada república da Chechênia com rudes disparos de mísseis e artilharia nesta quinta-feira (11) enquanto Moscou rejeitava os apelos vindos da Chechência para negociações visando o fim dos ataques.
O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Igor Ivanov, estava "preparado para encerrar as ações militares amanhã mesmo", mas apenas se os rebeldes chechenos se rendessem - condição rejeitada pelos chechenos.
O ministro de Interior Vladimir Rushailo disse ser contrário a qualquer negociação com o presidente checheno Aslan Maskhadov, que hoje apelou por negociações ao presidente russo Boris Yeltsin.
"Boris Nikolayevich, peço a você novamente que inicie um diálogo", disse Maskhadov em carta aberta a Yeltsin. "Os problemas... não podem ser solucionados por meio da guerra."
Soldados russos estacionados em Terek Ridge, pouco ao norte de Grozny, atacaram a cidade com foguetes e bombardeiros. Os ataques intensos foram presenciados por um repórter da Associated Press, que teve de esconder-se durante muitas horas atrás de blocos de concreto.
A Rússia também continuou com seu ataque a Gudermes, segunda maior cidade da Chechênia. O coronel-general Valery Manilov disse que soldados começariam a ocupar a cidade na sexta-feira. Tomar Gudermes seria uma vitória significante para os russos. A cidade fica a apenas 35 quilômetros de Grozny.
Em uma rara admissão do sofrimento de civis, o vice-chefe de Estado Maior da Rússia, Igor Shabdurasulov, disse em entrevista coletiva que os militares russos cometeram alguns erros na Chechênia. "Nós temos responsabilidade moral por esses erros", declarou, segundo citação da agência de notícias Interfax.
Enquanto isso, o ministro da Defesa Igor Sergeyev disse que as operações na Chechênia poderiam ser finalizadas em breve, mas não explicou o motivo. "Há uma chance de que a operação seja encerrada antes do fim do ano", afirmou.

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