Roma, 11 (AE-ANSA) - Pelo menos 13 pessoas morreram e 50 estão soterradas em Foggia (350 quilômetros a sudeste da capital italiana), em consequência do desabamento de um prédio de seis andares, informou o prefeito da cidade, Paolo Agostinacchio, que determinou a abertura de processo por "homicídio involuntário". O construtor residia ali e figura entre os desaparecidos.
Havia 71 pessoas no interior do edifício. Dezessete foram resgatadas com vida - entre as quais 2 crianças. Os bombeiros continuam cavando com pás e com o auxílio de gruas. "Há pessoas vivas no meio desses blocos de concreto", disse um deles. "Ouvimos vozes."
Construído em 1971, o prédio tinha 26 apartamentos. Dois estavam desocupados. Dezenove moradores não estavam em casa e nada sofreram. Pietro Torraco conseguiu salvar toda a família de cinco membros. Morador do primeiro andar, ele ouviu ruídos estranhos na estrutura e retirou a mulher e os filhos do apartamento.
Correu em seguida ao apartamento do síndico Luigi Lacontana, alertando-o sobre a possibilidade de uma catástrofe. Percebendo a gravidade da situação, o síndico comunicou-se com todos os condôminos pelo interfone. "Quando a gente começou a aparecer nas sacadas e corredores, o prédio desabou como um castelo de cartas", contou ele. "Estou vivo por milagre."
Um grosso rolo de fumaça marrom envolveu o quarteirão. Pequenos focos de incêndio se seguiram, provocados por vazamento de gás.
O síndico disse também ter alertado o corpo de bombeiros pelo menos três minutos antes. "Pedi a eles que viessem ver o que ocorria."
No prédio moram as famílias de dois bombeiros. Estão todos desaparecidos. Um menino de um ano foi retirado dos escombros por sua tia. "Ouvi o choro do pequeno (Antonio), pedi socorro ao pessoal do prédio vizinho e escavamos com as mãos até chegar a ele", afirmou Nicla Crincoli, a tia do garoto.
Os bombeiros conseguiram resgatar com vida um menino de cinco anos, que apresentava apenas ferimentos leves. Uma mulher idosa também foi retirada viva dos escombros, mas recebeu ferimentos graves.
Centenas de pessoas reuniram-se diante do prédio, totalmente isolado pelas autoridades policiais. São, em sua maioria, parentes de moradores que procuram notícia deles.
O primeiro-ministro Maximo DAlema e a ministra do Interior, Rosa Russo Jervolino, estiveram no local para "expressar solidariedade do governo às vítimas". Também enviaram mensagens de conforto o presidente Carlo Azeglio Ciampi e o papa João Paulo II.
Engenheiros do Instituto Nacional de Urbanística atribuíram o desabamento ao "mal estado do solo" - muito úmido. Poderia ter ocorrido uma erosão no subsolo.
Para o engenheiro-chefe da prefeitura local, Bruno Londo, o pilar central do edifício rompeu-se. Essa hipótese é reforçada pelo diretor do Instituto Sismológico de Foggia, Federico Negri. Ele disse ter observado pequena acomodação de terreno na região, que pode ter afetado as colunas. Um edifício vizinho foi interditado.

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