Bogotá, 11 (AE-AP) - Um poderoso carro-bomba explodiu hoje (11) numa movimentada avenida de um luxuoso bairro de Bogotá, matando pelo menos sete pessoas e ferindo outras 30 no pior atentado terrorista na capital colombiana em anos.
O prefeito Enrique Penalosa disse que o ataque pode ter sido uma retaliação à decisão do governo de extraditar supostos traficantes de drogas para serem julgados nos Estados Unidos. "Parece que tem relação com a extradição", especulou Penalosa no local da explosão.
A bomba, empacotada com pedaços de ferro e plantada num Mazda sedan vermelho, explodiu às 10h15 (horário local), destruindo um sobrado e um restaurante e estilhaçando vidraças de bancos, hotéis e três prédios residenciais num raio de 50 metros.
"Eu vi o clarão e então tudo ficou escuro", disse Mario Renton, um vigia da Federação Pecuarista, no outro lado da avenida. A força da explosão quebrou o nariz de Renton.
A bomba de 70 quilos criou uma cratera de um metro de profundidade na calçada e lançou pedaços do carro a sete metros de distância, segundo a polícia.
Aparentemente, a maioria das vítimas era transeuntes. Uma mulher, bastante queimada e sangrando, foi retirada de baixo dos destroços de um carro destruído pela explosão. Outra mulher estava caída sobre uma poça de sangue na calçada. Um taxista, com o rosto sangrando, estava sentado perplexo em seu veículo bastante danificado a poucos metros de onde o carro-bomba explodiu.
Foi o pior ataque terrorista em Bogotá desde que uma sangrenta campanha antiextradição terminou em 1993 com a morte do barão das drogas Pablo Escobar e a desarticulação do Cartel de Medellin.
Autoridades do governo disseram temer que a explosão de hoje marque uma repetição daqueles tempos sangrentos.
Depois que centenas de civis morreram em explosões e ministros
juízes, promotores e policiais foram assassinados durante a campanha de terror do Cartel de Medellin, a Colômbia baniu a extradição em 1991.
Mas a extradição foi reinstalada em dezembro de 1997 sob forte pressão dos Estados Unidos. Esta semana, a Suprema Corte da Colômbia aprovou a extradição para os EUA de dois supostos traficantes de drogas. Se o presidente Andres Pastrana ratificar a decisão, os suspeitos seriam os primeiros de 42 acusados de tráfico em celas da Colômbia que são buscados por tribunais norte-americanos a serem extraditados.
Pastrana reuniu imediatamente o Conselho de Segurança Nacional. Depois da reunião, o ministro da Justiça, Romulo Gonzalez, disse que era cedo demais para responsabilizar o "narcoterrorismo" pelo ataque - mas adiantou que Pastrana irá "manter sua palavra" e extraditar os barões das drogas encarcerados.
O prefeito de Bogotá, abalado, afirmou que oferecia recompensa de US$ 50 mil por informações que levassem aos culpados. "A sociedade colombiana não será intimidada por atos de violência"
garantiu Penalosa.
Um ex-diretor da agência de segurança estatal, Fernando Brito, disse que o atentado - num espaço público, onde qualquer um poderia ser morto - trazia a marca de conexão com as drogas. "Esses métodos foram usados no passado para pressionar o governo" a não extraditar supostos traficantes para os Estados Unidos, onde enfrentariam penas muito mais severas do que na Colômbia, afirmou.
Apesar de raramente visar a população civil, atentados a bomba têm ocorrido periodicamente nos últimos meses em todo o país, que vive há quase quatro décadas uma guerra de guerrilha. Bancos
delegacias de polícia e bases do exército são alvos frequentes.
Na terça-feira, uma bomba feriu oito pessoas em Bogotá, duas delas investigadores judiciais que, acredita-se, eram o alvo. Um dos investigadores permanece hospitalizado.
No dia 30 de julho, um carro-bomba visando um esquadrão anti-sequestro explodiu na cidade de Medellin, matando 10 pessoas, todos policiais, soldados e investigadores judiciais. Rebeldes esquerdistas assumiram responsabilidade pelo ataque.

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