Tóquio, 11 (AE-AP) - O governo japonês aprovou hoje (11) um novo pacote de gastos, o nono lançado na segunda metade desta década, no valor de 18 trilhões de ienes, US$ 172 bilhões, para estimular a reativação da economia, incentivar os investimentos produtivos e as contratações de pessoal. De acordo com o chefe da Agência de Planejamento Econômico (EPA), Taichi Sakaiya, disse que a meta é fazer com que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 2,5% nos próximos 12 meses.
Na avaliação dos economistas, embora a economia tenha dado alguns sinais frágeis de recuperação, a demanda do setor privado ainda está aquém do esperado, e o governo quer encorajar as reformas estruturais, ajudar as pequenas empresas e promover novos negócios, afirmou. "O objetivo é aumentar o número de novos negócios dos atuais 14 mil para 24 mil em cinco anos."
A iniciativa, porém, não correspondeu às expectativas do mercado e dificilmente fará alguma diferença expressiva na economia japonesa, pois os gastos reais não vão aumentar", afirmou Ryuichi Takami, vice-presidente de Câmbio do Sanwa Bank. Tanto que o Índice Nikkei da Bolsa de Tóquio iniciou o dia em alta, mas fechou com queda de 240,59 pontos, ou 1,30%, em 18.327 28 pontos. Na quarta-feira a média do indicador havia subido 1 51%.
Na prática, os gastos governamentais embutidos no pacote ficarão em apenas 6,5 trilhões de ienes, US$ 62 bilhões, de acordo com fontes do governo de Tóquio. A natureza dos 11,5 trilhões restantes não ficou clara após o anúncio, mas Ken Nibayashi, da EPA, disse que o total inclui as garantias que o governo vai oferecer nos empréstimos a serem concedidos às médias e pequenas empresas.
Entre as medidas figuram também algumas iniciativas para desregulamentar a economia e facilitar a vida das pequenas e médias empresas, além dos recursos para o programa de reestruturação do sistema de aposentadorias e pensões.
Este é o segundo pacote de estímulo lançado este ano para dar impulso à recuperação econômica do país. O plano, aprovado pelo primeiro-ministro Keizo Obuchi, e pelo ministro das Finanças, Kiichi Miyazawa, ainda deve passar pela aprovação do Parlamento. O custeio do projeto, que prevê a destinação de US$ 19 bilhões para incentivar a concessão de créditos imobiliários, US$ 9,6 bilhões para as pequenas empresas que queiram contratar mão-de-obra e US$ 8,6 bilhões para o programa de enfermagem e assistência aos idosos e deficientes, será feito por meio da emissão de bônus.
O novo pacote prevê até os recursos necessários para dar início ao projeto de instalação de fibras óticas em todo o país até o ano fiscal de 2005, iniciativa de interesse pessoal do primeiro ministro Keizo Obuchi. Na avaliação dos estrategistas do Warburg Dillon Read Japan, porém, as medidas tem o principal objetivo de conquistar os eleitores, pois não deve alterar o comportamento da demanda privada, fator-chave para a recuperação sustentada da economia do Japão.





